Educação

Porto Velho 22/05/2018 09:57 G1

Estudantes de Porto Velho desenvolvem aplicativo para ajudar no diagnóstico do déficit de atenção

Aldo Lery e Robert Willian começaram o projeto em fevereiro de 2018. O aplicativo 'TDAHMente' está em fase de teste, mas já pode ser baixado em aparelhos com sistema Android.

Os maneiras para diagnosticar o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) poderão ganhar uma ajuda importante. É que um aplicativo que promete servir como indicador para o diagnóstico do transtorno acabou de ser desenvolvido por dois estudantes do ensino médio da rede pública de Porto Velho. O TDAHMente já está disponível para download em aparelhos com sistema Android. O teste também pode ser feito online.

O aplicativo começou a ser desenvolvido em fevereiro de 2018 pelos estudantes Aldo Lery e Robert Willian, na época ambos estudavam no Instituto de Educação Estadual Carmela Dutra, em Porto Velho. Eles contaram com a ajuda do professor especialista em novas tecnologias Cleiton Araújo. O grupo já ganhou a Feira de Rondônia de Científica de Inovação e Tecnologia (Feirocit) de 2017 com o projeto Aluno Digital.

“Queríamos desenvolver para esse ano um aplicativo na área da saúde. Como um de nossos colegas era muito hiperativo, brincávamos afirmando que criaríamos um aplicativo para estudar a hiperatividade dele. A ideia passou a ser séria e começamos a desenvolver um aplicativo, a partir de pesquisas e estudos, que servisse como indicador para o diagnóstico de TDAH”, comenta o estudante Aldo.

O professor que coordena o grupo afirma que a construção do aplicativo seguiu todos os trâmites legais. Segundo ele a criação se deu através de um manual de diagnóstico de doenças de transtorno mentais para TDAH. Os estudantes e o professor transformaram o formulário de um médico da Associação Americana de Psiquiatria no aplicativo.

No entanto, o grupo lembra que o diagnóstico de TDAH só pode ser dado por meio de um laudo médico.

“O aplicativo serve como um indicador para diagnóstico de TDAH. Se a partir do resultado o usuário detectar que possui o transtorno, vamos indicar que ele procure um médico ou ajuda psicológica”, diz Cleiton Araújo.

Para a neuropsicóloga Gessiane Rodrigues, apesar do TDAH ser um transtorno crônico sem cura, ele conta com tratamento. Ela ressalta, ainda, a importância de diagnosticar o transtorno o mais cedo possível.

“Os sintomas costumam surgir na infância e permanecem durante a adolescência. Na fase adulta, em 50% dos casos os sintomas vão diminuindo. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor será o resultado do tratamento. Uma criança que possui o TDAH e não está sendo tratada, além do prejuízo psicológico, também terá um prejuízo social, influenciando várias áreas da vida dela”, pontua a neuropsicóloga.

Com o feito, o grupo já planeja disputar a Ferocit de 2018, prevista para acontecer em agosto deste ano.

“O Robert, um dos criadores, mudou de escola e eu, por estar no terceiro ano do ensino médio, não poderei representar o aplicativo na Feirocit desse ano. Mas contamos com um novo membro, o Ruan Azzi, do primeiro ano do ensino médio, que vai representar o grupo”, afirma o estudante Aldo.

No entanto, o grupo já planeja voos mais altos e sonha em concorrer como o aplicativo TDHAMente na Mostratech 2018, uma feira internacional de ciência e tecnologia que vai ocorrer em Nova Hamburgo (RS) em outubro desse ano.

O aplicativo ainda está em fase de teste, mas já pode ser baixado em aparelhos com o sistema Android.

O professor e coordenador do grupo espera que o aplicativo permita o tratamento do TDHA o mais rápido possível e, assim, diminuir os impactos ao longo da vida escolar.

“A falta de diagnóstico do TDHA leva a muitos problemas encontrados no meio escolar, como a violência, o bullying e dificuldade de aprendizagem”, finaliza Cleiton Araújo.


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