Geral

28/10/2017 22:00

Paulo Japonês é absolvido, Sérgio Sussumu e outros três são condenados por crimes contra a vida na fazenda Tucumã

Após cinco dias de julgamento, o tribunal do júri em Ariquemes absolveu nesta sexta-feira (27), o fazendeiro Paulo Iwakami, popular Paulo Japonês e condenou Sérgio Sussumu Suganuma, Rivaldo de Souza, vulgo “neguinho”, os policiais militares Jonas Augusto dos Santos Silva e Moisés Ferreira de Souza, pela morte do Jovem Alysson Henrique de Sá Lopes, vulgo “Bá” e tentativa de homicídio contra Renato de Souza Benevides, Raimundo Nonato dos Santos e Alessandro Esteves de Oliveira. 


Os crimes ocorreram no início de 2016, nas imediações da Fazenda Tucumã, localizada na linha C-114, zona rural de Cujubim, a época a propriedade estava sendo invadida por sem terras membros da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), o dono da fazenda era o Paulo Japonês e contratou serviços de segurança para inibir as invasões em suas terras, os serviços foram indicados por Sérgio Sussumu, que a época era presidente da Associação Rural de Ji-Paraná e sub-contratou Rivaldo e os policiais Moisés e Jonas entre outros que não participaram dos crimes.

Além da morte de Alysson, houve o desaparecimento do jovem Ruan Lucas Hildebrandt de Aguiar, o conselho de sentença reconheceu por maioria de votos que não há provas de que ele morreu.


Penas


Os policias Jonas e Moisés foram condenados a 28 e 30 anos de prisão, respectivamente, Rivaldo a 30 anos e Sérgio 8 anos, todos deverão cumprir as penas em regime inicial fechado. 


Absolvição 


O conselho de sentença entendeu que Paulo Japonês contratou os serviços de segurança para sua fazenda de forma imprudente, não deu ordens para matar os invasores, sendo assim inocentado.


Pena branda


O conselho de sentença reconheceu, por maioria de votos, que o réu Sérgio Sussumu Suganuma, concorreu para a morte da vítima Alysson Henrique de Sá Lopes, vulgo “Bá”, de forma negligente, sem adotar os cuidados necessários quando indicou terceiras pessoas para realizar o serviço de segurança, por isso o presidente da sessão Juiz Alex Balmant o condenou a 8 anos e 4 meses de prisão.


Relembre este caso


Durante uma coletiva de imprensa, na sexta-feira (11/03/2016), a Polícia Civil anunciou a prisão do dono da Fazenda Tucumã, o empresário ji-paranaense Paulo Iwakami, acusado de ter contratado um grupo armado para defender suas terras que estavam sendo invadida pela LCP. O crime aconteceu na Zona Rural de Cujubim no final de janeiro deste ano, quando o corpo de um sem-terra foi encontrado carbonizado dentro de um veículo. Um outro sem-terra ainda está desaparecido.


De acordo com processo 0000889-37.2015.8.22.0002, a Fazenda Tucumã teve liminar de reintegração de posse julgada favorável frente à Liga dos Camponeses Pobres (LCP). A última liminar determinou que os invasores se mantenham afastados da propriedade a uma distância mínima de 10 quilômetros. O descumprimento da ordem judicial acarreta multa de R$ 100 mil por invasão.


O delegado regional de Ariquemes, Thiago Flores, informou que a Polícia Militar reintegrou a área pela segunda vez, de maneira pacífica, e explicou como ocorreram os fatos que resultaram na morte de um invasor e o desaparecimento de outro, além da prisão do grupo de seguranças e armas de diversos calibre, entre elas, uma metralhadora 9mm. “O primeiro passo que foi encontrado foi um corpo carbonizado próximo à Fazenda Tucumã.

Outra pessoa ainda está desaparecida desde o dia 31 de janeiro. Foi nesse dia houve uma segunda reintegração de posse da área pela Polícia Militar. A reintegração ocorreu bem, sem o disparo de um tiro de borracha. No dia seguinte, apareceu um grupo de cinco pessoas em um veículo Santana. De certa maneira, essas pessoas estavam envolvidas na invasão das terras. Elas pararam o carro na fazenda vizinha, Santa Maria, e foram a pé até a Fazenda Tucumã. O objetivo delas era buscar pertences delas que estavam lá dentro, já que não estavam lá no dia da reintegração de posse.

Quem estava, saiu de maneira ordeira. Já estas que não estavam, queriam pegar os seus pertences. Chegando ao local, foram recebidos à tiros. Esse grupo se dispersou e horas depois, se reuniu novamente para retornar ao local que deixaram o carro, na Fazenda Santa Maria.

Mais uma vez, foram recebidos à bala e se dispersaram pela segunda vez. Dos cinco ocupantes do carro, três foram para o mesmo rumo e salvaram suas vidas. Dois foram para o lado oposto. Um desses foi visto tombando e se levantando.

Não se sabe se foi por um tiro que teria tomado ou se caiu somente e se levantou. Um desses foi visto com vida, horas depois, na sede da Fazenda Santa Maria, tomando café com uma determinada pessoa. Porém, foi abordado pelo primeiro grupo que tentou atentar contra a vida dos invasores que foram até lá. Dali, tanto essa pessoa quanto o veículo, foram retirados da Fazenda Santa Maria.

No outro dia, foi encontrado o carro queimado e um corpo carbonizado dentro. O que faz a gente crer que o corpo carbonizado é dessa pessoa são os relatos conseguidos pela Polícia Civil. O material genético recolhido da ossada e dos pais dessa vítima estão sendo analisados em Brasília e o exame está quase finalizado. Quem foi visto caindo e depois levantando seria o Ruan.

A Polícia Militar por dois dias consecutivos foi até o local e realizou buscas. Inclusive com cães farejadores e equipes táticas para localizar o Ruan, mas não teve sucesso. Recentemente, nova equipe da Polícia Militar foi ao local, mas não conseguiu”, disse ele.


Thiago Flores ainda destacou que no suposto grupo de seguranças contratados por Paulo Japonês, havia um sargento da reserva da PM de Ji-Paraná e dois policiais militares da ativa, que foram presos um dia antes da coletiva de imprensa. “Esse grupo armado foi contratado pelo dono da fazenda para evitar novas invasões.

Quando a polícia encontrou o corpo carbonizado, encontrou o armamento e quatro pessoas. Uma delas conseguiu fugir, mas as outras três foram trazidas à delegacia.

Quem conseguiu fugir foi um sargento da PM da reserva: Moisés Ferreira de Souza, de Ji-Paraná. Das três, uma foi liberada no dia mesmo porquê não tinha qualquer relação com as armas.

As outras duas, que se disseram caseiros, assumiram a propriedade, mas não do arsenal que estava na caminhonete. Somente de dois revólveres calibre 28 e 32 que estavam na casa. Então foram indiciadas por porte ilegal de arma de fogo.

Diante disso, pedimos a prisão do sargento da PM da reserva e do proprietário da caminhonete onde estavam as armas. Só não conseguimos prender ainda o sargento, somente o dono da caminhonete que já está detido há algum tempo. O documento do carro estava no nome dele, tinha documento pessoal dele dentro do carro. Ele foi contratado pelo dono da fazenda e estava o arsenal no carro dele.

As investigações avançaram e pedimos a prisão do dono da Fazenda Tucumã, morador de Ji-Paraná. Ele contratou essas pessoas conscientes do poderio bélico delas e para fazer a defesa da terra a qualquer custo. Diante disso, foi decretada a prisão dele na cidade há pelo menos 15 dias.

Fora o dono da fazenda e o sargento da reserva, que está foragido, ainda temos a prisão de outros dois acusados que estavam no momento da execução do carbonizado e estavam envolvidos no desparecimento do Ruan, que são dois policiais militares da ativa e da região, que foram presos ontem [quinta-feira]”, afirmou o delegado regional.
Thiago Flores também apontou que o inquérito da Fazenda Tucumã já foi concluído, faltando apenas a prisão do sargento da reserva da PM, Moisés, com o indiciamento de todos os envolvidos. “Todos os envolvidos serão indiciados por dois homicídios: um duplamente qualificado, que é possivelmente o do Ruan e um triplamente qualificado, que é o do carbonizado, além das armas, que estamos apurando a procedência e como entraram na região. Algumas são da Força Nacional Boliviana.

O inquérito da Fazenda Tucumã foi concluído nesta sexta-feira e será encaminhado à Justiça em breve”.


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