Justiça

06/03/2018 09:41 TJ

Depoimentos marcam 1°dia de júri dos acusados de matar prefeito

No período da manhã foram ouvidos as testemunhas de defesa. Acusação foi ouvida durante à tarde, antes do interrogatório dos réus.

O depoimento das testemunhas e o interrogatório de três suspeitos marcaram o primeiro dia de julgamento dos envolvidos na morte do prefeito de Candeias do Jamari, Francisco Vicente de Souza, o Chico Pernambuco, no 1º Tribunal do Júri de Porto Velho, nesta segunda-feira (5).

O julgamento, que iniciou às 8h30 da manhã, deve continuar nesta terça-feira (6) com exposições da defesa e da acusação. Nessa primeira etapa são julgados os réus Talisso Souza de Oliveira, Wellyson da Silva Vieira e Willian Costa Ferreira.

Durante a manhã, testemunhas da defesa falaram para o júri. Já durante a tarde foi a vez da defesa.

Conforme o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), na quarta-feira (7) será feito intervalo e, na quinta-feira (8), o júri retoma os trabalhos para o julgamento de Marcos Ventura Brito, Diego Nagata Conceição e Henrique Ribeiro de Oliveira.

Nesse período de julgamento, segundo o judiciário do estado, os jurados vão ficar isolados, sem acesso a telefones ou qualquer outro meio de comunicação.

Segundo a Polícia Civil, o assassinato de Chico Pernanbuco tem motivação política, envolvendo negociações de quase R$ 500 mil com apoiadores de campanha.

Entenda o caso

O então prefeito de Candeias do Jamari, Francisco Vicente de Souza, conhecido como Chico Pernambuco, de 66 anos, foi assassinado com dois tiros no peito e um no rosto, no dia 18 de março de 2017, dentro do próprio carro, na cidade de Candeias.

De acordo com as investigações, o atirador teve suporte de Wellyson da Silva Vieira, que pilotou a moto que deu fuga ao assassino. Wellysson e os demais envolvidos teriam sido contratados pelo traficante Marcus Ventura Brito, o ‘Marquinhos’, que mediou as negociações entre os executores do crime e Katsumi Ikenohuchi.

Segundo a polícia, o grupo foi contratado por R$ 50 mil, dinheiro que não chegou a ser pago. Em um sítio na área rural de Porto Velho, policiais apreenderam R$ 4 mil, drogas, o revólver utilizado pelo atirador e 10 balas do mesmo calibre da arma.

Com interceptações telefônicas, a polícia conseguiu chegar aos demais envolvidos.

Crime

Os preparativos para o assassinato tiveram início dia 7 de março de 2017, quando Chico Pernambuco deliberadamente rompeu laços com financiadores de campanha. Nessa data, houve licitação para a merenda das escolas municipais de Candeias. Uma das empresas que concorreria era de uma financiadora da campanha do então prefeito, mas Chico Pernambuco ameaçou boicotar a participação da empresa, causando um racha entre o prefeito e uma de suas principais apoiadoras.

Katsumi Ikenohuchi ainda tentou reverter o quadro, requerendo a titularidade da Secretaria de Agricultura do Município. Chico Pernambuco rechaçou a proposta e foi ameaçado de morte. Uma pessoa próxima ao prefeito disse à polícia que ele ficou preocupado com as ameaças, mas não chegou a contratar seguranças.

Poucos dias depois, parte do grupo envolvido no assassinato passou a fotografar a casa do prefeito e o carro dele. Os criminosos frequentaram os locais onde Chico Pernambuco costumava ir, estudaram os movimentos do chefe do executivo e, em uma dessas oportunidades, ensaiaram o crime.

Chico estava em um restaurante com dois homens. Os bandidos chegaram próximo do prefeito, mas acabaram desistindo do crime. “Eles acharam que os homens que estavam com Chico eram policiais descaracterizados”, disse um policial civil.

No sábado, quando houve o assassinato, horas antes, o grupo se certificou de que Chico Pernambuco estava em casa e de que não havia nenhuma pessoa próximo que poderia intervir na ação criminosa. Em seguida retornou ao local onde estava o atirador e deu início ao ataque. O atirador ficou postado em frente a casa do prefeito e o segundo envolvido, que estava de moto, ficou em outro ponto, na mesma rua.

Quando o prefeito saiu da casa e entrou no carro, o atirador se aproximou por trás do veículo e surpreendeu Chico Pernambuco, efetuando vários disparos. O revólver utilizado no crime foi guardado pelo atirador.

O piloto da moto, que também estava armado, jogou a arma dele fora. “O Marquinhos pegou a arma do atirador e guardou, achando que e o revólver utilizado no crime seria o que havia sido descartado pelo motoqueiro”, registou a polícia.


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