Ariquemes (RO), 15 de setembro de 2019

Mundo

Guerra 08/09/2019 00:37 O Globo

Trump cancela reunião secreta com líderes talibãs em Camp David

Presidente dos EUA atribui decisão a ataque que matou 12 pessoas em Cabul, incluindo um soldado americano

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , revelou neste sábado ter cancelado uma reunião secreta que teria com líderes talibãs no domingo em Camp David, devido a um ataque a bomba que matou 12 pessoas no último dia 5, em Cabul. Entre os mortos estava um soldado americano. Separadamente Trump se encontraria com o presidente afegão, Ashraf Ghani, também na residência campo.

"Se eles não podem concordar com um cessar-fogo durante as importantes conversas de paz, e ainda matam 12 pessoas inocentes, provavelmente não têm o poder para negociar um acordo significativo", disse Trump no Twitter.

O grupo fundamentalista islâmico, que negociava com representantes americanos a paz no Afeganistão, assumiu a autoria do atentado na capital. Segundo um porta-voz declarou em entrevista à agência de notícias AP, o objetivo era "aumentar o poder de barganha".

"Eu imediatamente cancelei o encontro e suspendi as negociações de paz. Que tipo de gente iria matar tantos para aparentemente reforçar seu poder de barganha?", perguntou o presidente americano. "Eles chegariam aos Estados Unidos esta noite", revelou.

O governo americano vem negociando há meses com líderes talibãs no escritório político do grupo em Doha, Qatar, apesar de os rebeldes se recusarem a ter contato direto com o governo do Afeganistão, que acusam de ser um marionete dos EUA.

Na última segunda-feira, o enviado americano, Zalmay Khalilzad , que liderou quase um ano de conversas com o Talibã, disse a um canal de notícias afegão em Cabul que os Estados Unidos haviam chegado  "em princípio" a um acordo com o Talibã, mas alertou que a aprovação final ainda dependia do presidente Trump .

Com o acordo, os  Estados Unidos  retirariam 5.400 soldados do Afeganistão ao longo de 135 dias. Essa retirada seria o começo do que se esperava ser a saída gradual de todos os 14 mil soldados americanos no país, na guerra mais longa da História dos EUA.

Em troca da retirada gradual, o Talibã se comprometeria a não permitir que o Afeganistão fosse usado por grupos terroristas como a  al-Qaeda  ou o  Estado Islâmico  como base para ataques aos Estados Unidos e seus aliados.

Um acordo poderia ser o começo do fim das quase duas décadas de intervenção militar americana no Afeganistão, que começaram após os ataques em 11 de setembro de 2001 pela al-Qaeda contra os Estados Unidos. Na época, o grupo governava o Afeganistão e abrigava  Osama bin Laden , líder da rede terrorista. Os EUA atacaram, então, o país em busca de Bin Laden, levando à queda do Talibã do poder. A guerra custou a vida de dezenas de milhares de afegãos e de mais de 3.500 soldados americanos e de seus aliados.

Hoje, no entanto, o Talibã controla partes do território afegão. Somente este ano, 16 soldados americanos morreram no país.


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