Rondônia

Ariquemes 12/10/2017 08:26 G1

Cachorro carregando braço de cadáver, assassinato de promotor e festas... veja as histórias marcantes de Ariquemes

Tradicional DJ das noites 'ariquemenses' e delegado da 'explosão' do Garimpo Bom Futuro recordam momentos marcantes nas últimas décadas.

Cine Sete Irmãos, Canecão, Varanda Bar, Talentus, Raízes, Contramão, Ipiranga, Railan Drinks, Terraço Escarola e Degraus são nomes que trazem muitas lembranças na mente de quem viveu em Ariquemes (RO) nas décadas de 70, 80 e 90.

Nenhum dos bares, lanchonetes, danceterias ou cinema citados existem mais, porém a extinção dos espaços não afetou a memória do DJ Lafaete Ribeiro, que mora em Ariquemes há mais de 30 anos e foi um dos maiores nomes da noite da cidade.

Nos anos 90, Lafaete começou a tocar na noite e seguiu na carreira por 17 anos.

"Eu era colecionador de discos, por isso fui convidado para trabalhar numa casa recém inaugurada e começou a dar gente", explica.

Após alguns meses tocando numa danceteria no Setor 4, um amigo o convidou para a recém-inaugurada Degraus, em maio de 1991.

Lafaiete diz recordar de muitas histórias na danceteria, que fica no Setor 3 e deixou de existir há 10 anos.

"Foram inúmeras pessoas que se conheceram lá e acabaram casando. Já fiz reconciliação lá dentro. Ele pediu para as amigas dela a convidarem e ele também foi. Peguei o microfone, coloquei uma música lenta, falei um monte de coisas e eles acabaram reconciliando", lembra.

Como não havia internet, ele explica que muitas músicas foram lançadas na casa.

"Três gerações passaram por lá. O matinê era muito famoso, a gente abria 19h mas 17h tinha fila. Não tinha internet ainda e muitas músicas nós lançamos lá, que nem nas rádio tocavam na época", aponta.

Uma das histórias que marcaram a carreira dele foi a presença de uma jovem que frequentava a boate, mas não dançava.

"Tinha uma menina lá que me incomodava porque ela não dançava. Tinham lá 1,5 mil pessoas dançando e ela sentadinha lá. Um dia eu perguntei por que ela não dançava e ela disse que não gosta de dançar, mas ia lá só pra ouvir as músicas", diz.

Sobre a aposentadoria das noite, ele alega desgaste. "Eu me saturei, chega um ponto que perde a graça, a vontade, foi o que aconteceu comigo. Foi uma fase boa, mas que passou".

Segurança

Um tema que ganhou cada vez mais importância durante a história de Ariquemes é a violência. Iramar Gonçalves passou um período da vida lutando contra esse problema no Vale do Jamari. Ele foi delegado a partir de 1987 e foi chamado para atuar em Ariquemes logo que foi aberto o Garimpo de Bom Futuro.

Ele lembra que eram milhares de pessoas chegando mensalmente na região atrás das riquezas da cassiterita.

Para ele, a falta de energia durante a noite, baixo efeitivo e a distância do garimpo, um dos locais com maior incidência de crimes, eram as grandes dificuldades do período.

"Quando chegamos aqui tinha apenas uns 12 agentes de polícia pra tomar conta da grande Ariquemes. O Garimpo de Bom Futuro, pra atender qualquer ocorrência, tinha que mandar pra lá. Era homicídio em cima de homicídio. Quando você tava trazendo um cadáver, tinha andado 30 quilômetros, o rádio tocava avisando de outro crime", relata.

Gonçalves diz que o crime mais comum quando ele chegou em Ariquemes eram os furtos. Muitos criminosos aproveitavam as constantes faltas de energia a noite para levar objetos das casas.

"O crime mais comum naquela época era o furto. Não podia deixar uma casa pra ir fazer um lanche que devido a falta de energia, que a casa era furtada".

Sobre as mortes, ele destaca que a maioria eram vingança de atos cometidos pelos migrantes em outros estados, antes de irem pra Rondônia.

"As motivações dos homicídios eram acertos de contas das pessoas que vinham de fora. Praticavam um crime lá em outro estado e mudava pra cá. A pessoa ficava sabendo, que o cara tinha se mudado para Rondônia e matavam aqui".

Casos marcantes

Outra grande dificuldade recordada pelo ex-delegado é a falta de um Instituto Médico Legal (IML) na cidade. Os corpos eram abertos numa mesa em baixo das árvores do Cemitério São Sebastião, na Zona Sul.

"Não tinha IML. Os cadáveres eram levados para uma mesa, no cemitério. Em frente à rodoviária, que fica próxima, o camarada viu o cachorro vindo do cemitério com um braço de cadáver na boca. Isso ganhou destaque nacional e o governo instalou o IML onde é hoje", revela.

Dentre as investigações que marcaram a atuação de Iramar na cidade estão um sequestro de uma jovem e o assassinato de um promotor de Justiça, casos que geraram muita repercussão.

Outro grande trabalho, foi nos dias seguintes a morte de Olavo Pires, então candidato a governador do estado, em 1990.

"Uma situação que foi muito emblemática pra gente foi a morte do senador Olavo Pires. Foi em Porto Velho, mas teve que fechar o estado todo. Barreiras e mais barreiras varando a noite toda pra ver se achava o assassino", conta.

Hoje, o ex-delegado conta que não acompanha tanto os casos de polícia, mas vê uma melhora na estrutura e pessoal na segurança pública do Vale do Jamari, apesar do insistente alto índice de criminalidade. Aposentado, Iramar mora em Ariquemes.


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