Rondônia

Cacoal 09/01/2018 13:01 jornal Rondônia

Jornal de Rondônia entrevista Vinicius Miguel, pré-candidato ao governo pelo REDE Sustentabilidade

A entrevista é com Vinicius Valentin Raduan Miguel, professor da Universidade Federal de Rondônia e advogado.

Nascido em Goiânia por força das circunstâncias (o interior de Rondônia na década de 1980 não possuía condições para a gravidez de risco de gêmeos e sua mãe buscou o hospital mais próximo para o parto).

Passou parte da infância em Ji-Paraná e em Porto Velho, juntamente com seus pais, a Procuradora Federal e professora universitária aposentada Sueli Valentin Moro e o atualmente Desembargador Raduan Miguel Filho. É o mais velho dos dois irmãos – Rafael (seu irmão gêmeo) e Thiago, o caçula.

Se graduou, já morando em Porto Velho, em Direito e em Ciências Sociais. É especialista em Administração Pública (FGV), especialista em Filosofia (Faculdade Católica de Rondônia). Fez mestrado no Departamento de Política da Universidade de Glasgow e está em conclusão de seu doutoramento em Ciência Política na UFRGS. É autor de vários artigos científicos com estudos em segurança pública, violência e direitos fundamentais.

É professor efetivo da Universidade Federal de Rondônia desde 2012, onde passou por vários cargos administrativos e de gestão (Chefe de Departamento Acadêmico de Ciências Sociais, Coordenador de Programa de Especialização / SPDH, Comissão de Ética Pública, entre outros). Foi palestrante ou expositor nestes temas em vários locais, como Manaus (AM), Belém (PA), Brasília (DF) e São Paulo (SP). Por conta de sua atuação em entidades de pesquisa e de defesa na área de direitos da criança e de adolescente, foi debatedor em reuniões temáticas no Congresso.

Filiado recentemente à REDE Sustentabilidade, foi apontado na Conferência Estadual como pré-candidato ao Governo do Estado pela organização partidária.

Em entrevista pela internet com Ueliton Brizon, ele falou sobre “o esgotamento popular com a mesmice que se tornou a política”, refletiu sobre o “desânimo e descontentamento político e o grande desafio de pensar em fazer um governo que permita construir um novo caminho e nova forma de caminhar”.

Jornal de Rondônia: O que te levou ao interesse por um cargo político?

Sempre me envolvi em temas coletivos, de direitos difusos, de defesa de liberdades e de democracia. Em outros momentos, passei pelo envolvimento com temas da vida da Universidade e de enfrentamento à violência.

Com a prática da advocacia, atuei para pessoas ligadas ao meio político. Com isso, os convites surgiam.

Vi que a atuação com essas posições – no ativismo extrapartidário e para além da agenda eleitoral – apresentava limites e, em diálogo com outros setores, me coloquei a disposição para concorrer, internamente ao partido, ao cargo de Governador do Estado de Rondônia. Por evidente, é uma pré candidatura, ainda pendente de ritos partidários e legais, como a aprovação em convenção.

Jornal de Rondônia: Qual sua visão da política atual do país?

A situação atual, em relação aos escândalos de corrupção é lastimável. Essas práticas sempre existiram, é bom frisar. Mas tenho esperanças já que, com imprensa livre, com órgãos de controle e instituições cada vez mais fortalecidas, temos tido avanços na prevenção e repressão de crimes contra a Administração Pública.

Como se não bastasse a crise política, temos uma elevada taxa de desemprego no país, o que demonstra as dificuldades no plano econômico. O Estado se mostra ineficiente para solucionar os problemas sociais e a Sociedade Civil parece ainda enfraquecida para fiscalizar e propor alternativas.

Em suma, temos um cenário de descrédito e uma crise de esperança. Isso é preocupante, mas há um aspecto “positivo” nessa maré: o eleitorado passou interferir na vida política; começou a participar mais, ainda que pelas redes sociais, emitindo suas opiniões. A insatisfação pode ser o embrião de algo positivo em termos de ética.

A meu sentir, a população quer participar de uma maneira mais ativa da política e isso é ótimo. Precisamos encontrar mecanismos que favoreçam esse diálogo e que promovam saídas para os dilemas da nossa democracia.

Jornal de Rondônia: Na sua opinião, o que deveria ser feito para mudar drasticamente esse quadro?

Como dito, o cenário é de puro pessimismo, especialmente pelas abruptas mudanças legislativas que ocorreram, retirando direitos e conquistas sociais de aposentados e trabalhadores urbanos e rurais, enquanto se foi generoso com privilégios para a elite política. Se sobram recursos para alguns setores, falta dinheiro para, por exemplo, assegurar dignidade aos trabalhadores da segurança pública, agravando o drama da violência urbana que atinge a todos nós.

Com os retrocessos, a desigualdade e a pobreza voltam a crescer. Quanto a isso, precisamos de respostas, que passam por permitir que o mercado se dinamize, diminuindo o peso da burocracia, racionalizando as exigências documentais para a abertura e encerramento de negócios, facilitar o empreendedorismo, repensar a carga tributária, ao passo que melhoremos políticas sociais.

Uma solução para tentar reverter a crise que vivemos, seria a revisão de privilégios para quem exerce o poder. Os privilégios concedidos às autoridades faz com que haja um certo ceticismo sobre a real intenção dos governantes.

Jornal de Rondônia:  Quais seriam suas primeiras atitudes dentro do governo, se eleito?

Falando em caráter hipotético, é preciso alavancar uma agenda de desenvolvimento em suas muitas dimensões. É necessário que possamos nos unir em torno da prática de democracia. Daí aglutinar esforços em torno das complexas feições de uma economia do desenvolvimento (econômico, e também social, ambiental).

Será fundamental, para quem for eleito, revolucionar a educação em Rondônia. Buscar uma real e durável coligação de Estado e Sociedade para a melhoria da Educação no estado, que valorize o serviço público e possibilite a formação de qualidade do estudante. A diminuição de gastos e desperdícios do Poder Público é outra tônica: Como fazer mais, com mais racionalidade administrativa e economicidade?

Jornal de Rondônia: Faça um pequeno resumo, uma mensagem de esperança, para que o público do jornal o conheça alem destas informações.

Vivemos um tempo de insegurança e incertezas. Precisamos manter a fé e a esperança. Olhar para o futuro com otimismo nunca deve parecer impossível.

Podemos em nossos atos diários, construir uma democracia de tipo novo, com mais participação e que seja um instrumento de melhoria da vida social. As eleições são, não a única, mas uma das formas de fazer isso.

Fonte: jornal Rondônia com Alerta Rondônia


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