Rondônia

Rondônia 04/06/2018 10:03 G1

'Aquela pedra acabou com minha família', diz viúva de caminhoneiro assassinado a pedradas

Motorista seguia pela BR-364, quando foi atingido por pedra em Vilhena. Filho diz que pai sempre agradecia por chegar vivo em casa.

A viúva do caminhoneiro assassinado com uma pedrada na cabeça falou pela primeira vez sobre o crime. "Aquela pedra acabou com a minha família", afirma Margarida Batistela. O marido dela, José Batistela, foi morto na quarta-feira passada (30), quando dirigia o caminhão pela BR-364, em Vilhena (RO).

O ataque contra José ocorreu no 9ª dia dos protestos de caminhoneiros em Rondônia. O manifesto, que até então seguia pacífico no estado, teve a primeira vítima fatal.

Em entrevista exclusiva para a repórter Maríndia Moura, a viúva do caminhoneiro conta que morava com José e os filhos em Jaru (RO) há 20 anos.

Na última semana, o esposo seguia viagem pela BR-364 para levar uma carga de madeira ao município de Mirassol (MT).

"Ele tava meio ansioso de voltar em casa por conta da família. Como a minha filha vai inteirar 15 anos na quinta-feira agora, ele estava muito ansioso de ir e voltar pra estar em casa nesta data", relembra Margarida.

Segundo a viúva, José estava parado há nove dias em Vilhena por conta da manifestação dos caminhoneiros. Quando ele decidiu seguir viagem, no último dia 30, foi surpreendido com uma pedrada na cabeça e morreu na hora.

"Aquela pedra atingiu ele, acabou com a minha família, com a minha casa, meu esposo, os sonhos dele, nossos sonhos", diz emocionada.

Paixões e família

Margarida diz que o marido tinha duas paixões. "Eu falava assim pra ele: 'bem, parece que você gosta mais do caminhão do que de mim". Eu brincava com ele, mas não era verdade. Esses 20 anos vivendo com ele foi um excelente esposo. Me respeitou muito, os filhos com muito amor, carinho", conta.

Margarida e José estavam juntos há 20 anos e tinham dois filhos. A terceira filha de José era do primeiro casamento.

Um dos filhos do caminhoneiro, João Paulo, contou em entrevista como costumava ser a rotina do pai, dentro e fora do caminhão.

"Toda vez que chegava de viagem ele dava um beijo na estrela do caminhão, e levantava o braço e falava; 'obrigado Deus por me levar e me trazer pra minha família de volta'. Isso é uma coisa que eu nunca vou esquecer", relembra o filho.

João Paulo diz que sempre admirava o pai pelo esforço para trabalhar. Aos 70 anos, José continuava a vida na estrada para juntar dinheiro e assim terminar a casa da família.

"O meu pai eu admirava ele demais, até mesmo por causa da idade dele. Ele, por ser um homem de idade, já tava no tempo de parar, de descansar e ele sempre lutava, trabalhava demais", conta emocionado o jovem.

Homícidio

A Polícia Civil trabalha o caso como homícidio doloso, ou seja, quando há intenção de matar. Desde o assassinato, nenhum suspeito foi preso.

O ministro de segurança chegou a anunciar uma prisão, mas a informação não foi confirmada pela polícia, que segue procurando por quem jogou a pedra no caminhão de José.

Um amigo disse ao G1 que o motorista não participava do movimento grevista e trabalhava como autônomo.


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