Ariquemes (RO), 15 de setembro de 2019

Rondônia

30/08/2019 21:33

Só três cães sobreviveram ao incêndio no sítio onde morreu casal carbonizado

Globo Rural visita sítio em Machado D´Oeste, um dos municípios que tem mais focos de incêndio em Rondônia

No terreno calcinado, só restaram as cinzas da casa e três cachorros. Os animais sobrevivem com a solidariedade dos vizinhos, que lhes servem água e comida. A revista Globo Rural foi conhecer o assentamento Galo Velho, a cerca de 400 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia.
Lá as queimadas criminosas fizeram duas vítimas: o casal Eidi Rodrigues de Lima, de 36 anos, e Romildo Schimdt, de 39, que morreram carbonizados na pequena propriedade deles. De acordo com testemunhas, que já prestaram depoimentos à Polícia Civil, que investiga o caso, no dia 13 de agosto, um incêndio de grandes proporções atingiu o assentamento, provocando a fuga de várias famílias.
Eidi e Romildo, conhecido como “Preto”, não tiveram a mesma sorte: tentando salvar o pouco que juntaram em muitos anos de trabalho na roça, incluindo materiais de construção e criações de animais, como porcos e galinhas, não conseguiram escapar e morreram queimados.
Área incendiada equivale a 1.000 campos de futebol.

 

Dimensão da área queimada foi revista para cima: se fala em mais de 1 mil hectares. (Foto: Beethoven Delano/Ed.Globo)

Segundo o delegado da cidade de Machadinho do Oeste, André Kondageski, responsável pelo inquérito, a estimativa preliminar era que a área queimada no assentamento Galo Velho havia atingido 60 hectares. Porém, após análises preliminares da perícia criminal em imagens de satélite, foi verificado que o número pode ser bem maior: 1.050 hectares, o equivalente a mais de 1 mil campos de futebol.

"Estamos ouvindo as pessoas. Muitos têm medo de represálias, pois é comum o uso do fogo na nossa região para limpeza de áreas, seja para o plantio ou pecuária""

André Kondageski, delegado


“Estamos ouvindo as pessoas. Muitos têm medo de represálias, pois é comum o uso do fogo na nossa região para limpeza de áreas, seja para o plantio ou pecuária. Com os indícios que temos, parece que foi um incêndio com essa finalidade, mas que saiu de controle e vitimou duas pessoas”, disse Kondageski à reportagem da Globo Rural.

O delegado também destacou que há muitos incidentes na região de Machadinho do Oeste envolvendo queimadas na zona rural. “Temos o registro de cinco ou seis ocorrências por semana envolvendo danos materiais. Tem um inquérito de 2017, quando um senhor também foi vítima de incêndio. Porém, neste caso, ele mesmo teria iniciado a queimada para limpar uma área, que fugiu do controle e acabou o matando. No inquérito do casal, ainda haverá tipificação do crime, se foi ambiental e com homicídio com dolo eventual, já que quem promove esses incêndios, assume o risco de matar”, apontou ele.
 

Porto Velho lidera queimadas


Desde o início de julho, o amanhecer em Rondônia tem tons de cinza. Porém, a névoa não é por causa da neblina, nuvem de vapor causada pela queda de temperatura, mas por queimadas nas zonas urbanas e rurais do estado do Norte do país.

Névoa cobre campos de zona rural no Estado do norte.(Foto: Beethoven Delano/Ed.Globo)


De acordo com o núcleo de meteorologia da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), em um ano, de agosto de 2018 a agosto de 2019, foram registrados 10.249 focos de calor em Rondônia. Este foi considerado pelo órgão, o pior mês desde 2012, apesar dos dados ainda estarem sendo fechados.


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