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terça-feira, abril 20, 2021
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PREFEITO DIZ QUE VAI ARRANCAR PÁGINAS DE LIVROS DO MEC, E JEAN WYLLYS REAGE

O Prefeito de Ariquemes,  Thiago Flores (PMDB), em conjunto com alguns vereadores da cidade, decidiu arrancar as páginas de livros do MEC, que fala de alguma forma sobre o homosexualismo e suas formas de convivência. De início o pedido foi feito pelo vereador da Câmara Municipal de Ariquemes, Amalec da Costa(PSDB) acompanhado de mais dez vereadores da Casa.

 

O Prefeito visando a democracia resolveu então criar uma enquete no site da Prefeitura, para que a população de forma direta pudesse votar, e em conjunto oferecer um respaldo para uma futura decisão do gestor municipal, e a enquete ficou entre 57% contra o assunto ser ensinado nas escolas,  e 42% a favor. Foi então que em uma reunião com os vereadores, o Prefeito optou por arrancar as páginas que falavam do assunto, para que não se perdesse os demais conteúdos.

 

Promotoria

De acordo com duas promotoras do Município de Ariquemes, em entrevista à TV Ariquemes, afiliada da Rede Amazônica, o prefeito não poderia suprimir as páginas, tendo em vista que, se trata de patrimônio público do erário e de forma alguma as obras poderiam ser danificadas ou alteradas. Segundo ainda uma das promotoras, os temas que constam nos livros, de forma alguma interferem ou sugere a opção sexual de crianças.

 

Jean Wyllys

O Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL/RJ), reagiu em sua página oficial do Facebook, quando soube a decisão do Prefeito, veja na íntegra o que Jean publicou:

Estamos voltando para a época da inquisição? Toda e qualquer página de um livro que tenha o poder de dar liberdade e de formar cidadãos críticos e com pensamento serão arrancados? Quanto tempo até que recomecem a acender as fogueiras? O prefeito de Ariquemes, Thiago Flores – Prefeito, decidiu, em conjunto com os vereadores do estado de Rondônia, recolher livros didáticos para RETIRAR as páginas que ensinem sobre o respeito à diversidade sexual e de gênero antes de disponibilizá-los para as escolas.

 

Os livros, elaborados pelo Ministério da Educação, foram APROVADOS E SOLICITADOS pelos professores, que os escolheram para usá-los em sala após um rigorosa seleção de uma equipe técnica FORMADA E CAPACITADA na área da educação. Além de violar o direito a uma educação que promova a igualdade, o prefeito e os vereadores também desrespeitam todo o acúmulo e formação dos profissionais de educação.

Esta decisão é o triunfo da estupidez e da ignorância. Uma decisão cuja simbologia remete ao pior: se a maioria optasse pelo extermínio real de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais das escolas, em vez de seu extermínio simbólico das páginas dos livros, será que o prefeito populista e ignorante mandaria matá-los? Essa atitude veio com a desculpa de se combater a “ideologia” de gênero, uma expressão cunhada pela direita da Igreja católica para dizer que defendemos a ideia de que as pessoas podem mudar de gênero como mudam de roupa. Não é verdade. Essa ideia é uma farsa e é lamentável que prefeitos, vereadores e, sobretudo, jornalistas repitam essa cantilena sem qualquer tipo de crítica ou questionamento.

Quando trabalhamos a promoção da igualdade e o respeito à diversidade de gênero e orientação sexual é porque a escola não é uniforme, ela é formada de gente branca, negra, pobre, rica, mulheres, homens (cissexuais e transexuais), homossexuais, bissexuais e heterossexuais. A escola é um lugar de diversidade. As pessoas LGBT existem em sua materialidade e não podem ser ignoradas. Há pessoas que são vítimas de violência e têm suas oportunidades reduzidas por causa da sua orientação sexual ou do seu gênero.

A pesquisa nacional sobre o ambiente escolar no Brasil divulgados em 2015 nos mostra dados alarmantes: 73% dos jovens identificados como LGBT foram agredidos verbalmente na escola em 2015 por causa da sua orientação sexual ou identidade de gênero e 60% não se sentem seguros na instituição escolar.

Decisões retrógradas como essa tomada pelo poder público de Ariquemes só ajudam a agravar a violência nas escolas. Confiram aqui o estudo completo – http://www.abglt.org.br/docs/IAE-Brasil.pdf.

A realidade é que existe o medo por parte desses grupos que manipulam as informações a fim de colocar a população contra qualquer iniciativa que queira tornar a escola um lugar de inclusão e enfrente o machismo e a discriminação LGBT através da educação. Eles têm medo de uma educação de qualidade que desconstrua a nossa cultura de violência discriminatória, que dê às pessoas a possibilidade de uma vida com pensamento, porque isso é uma grande ameaça à permanência desses demagogos no poder.

Eu e minha assessoria estamos estudando a melhor forma de impedir essa arbitrariedade. Vamos reagir com força a esse absurdo. Não podemos permitir mais esse ataque à comunidade LGBT.

 

Reação do Prefeito

 

O Prefeito Thiago Flores não quis mais se pronunciar sobre o assunto e nem se realmente iria mesmo retirar as páginas, apenas agora noite em sua página do Facebook,  ironizou sobre a publicação de Jean, onde disse que, preferia lavar a louça do que responder ao deputado.

 

 

Fonte: Obr Notícias

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