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Professora se afasta das salas de aula após ser ameaçada por aluno armado

15/10, Dia do Professor: Rosemeyre de Oliveira teve de assumir função administrativa e enfrentar trauma após não permitir que um aluno entrasse atrasado na aula. Mais tarde, experiência motivaria doutorado e publicação de um livro.

Em 2009, a professora Rosemeyre de Oliveira, de São Paulo, não permitiu que um aluno do ensino médio entrasse atrasado na aula. Ele a xingou, chutou a porta e mostrou a arma na cintura. “Na próxima, dou um tiro na sua boca.”

Neste 15 de outubro, o G1 mostra 5 histórias sobre a vida de professor no Brasil. Confira as outras ao longo desse texto.

Sem receber qualquer amparo, Rose desenvolveu síndrome do pânico e depressão. “O que você quer que eu faça?”, questionou uma das funcionárias do colégio estadual. “Nem adianta tentar ir atrás do menino, ele já deve ter passado a arma para outra pessoa”, disse um soldado da ronda escolar.

“Acho que nunca senti tanta solidão. Claro que ver a arma assusta, mas as reações fisiológicas apareceram depois. Comecei a tirar licenças médicas. Tentei voltar a dar aula, mas não conseguia”, conta Rose.

Dois anos e meio depois, a professora decidiu “jogar a toalha”, como diz, e pedir para entrar em readaptação. Ou seja: ser afastada da sala de aula por motivos de saúde e assumir uma função administrativa na escola.

Professora readaptada

Por sugestão da psiquiatra que a acompanhava, Rose passou a auxiliar na coordenação de outro colégio, para “não se lembrar do que houve”.

Foi quando começou a enfrentar situações de preconceito. “Eu não podia ter contato com alunos, mas me punham em sala de aula para fazer chamadas administrativas. Ouvi muitas piadinhas. Senti a perda da identidade docente”, diz. Rose deixou de ser tratada como “professora”. Era “a readaptada”.

Assim como ela, outros 11.100 docentes na rede estadual de São Paulo estão em processo de readaptação, segundo estatística de novembro de 2019, do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Eles enfrentam preconceito e desamparo.

Rose, então, decidiu estudar o tema: em 2014, foi aprovada como bolsista no doutorado da PUC-SP, em linguística aplicada e estudos da linguagem, e publicou sua tese em outubro de 2020, aos 55 anos.

“Eu já vinha pesquisando sobre a identidade dos readaptados. Quando liguei para a escola e falaram que eu era a ‘readaptada da tarde’, percebi que já tinha até título para a tese. Foi uma frase emblemática. Não me senti ofendida, mas vi que precisava dar voz a esse grupo”, diz.

No livro “Atende aí que é a readaptada da tarde! Sentidos-e-significados do trabalho do professor em readaptação”, Rose analisa o discurso de docentes e conclui que a principal queixa deles é a exclusão social.

Por Luiza Tenente, G1

 

SourceG1

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