SEQUESTRO DE MÃE E FILHA APÓS ROUBO DE HILUX MOBILIZA CIDADE E PM DE FOLGA CONSEGUE INTERCEPTAR VEÍCULO EM PORTO VELHO

Uma mulher de 40 anos e uma criança de um ano e sete meses foram mantidas privadas de liberdade durante um roubo de uma caminhonete na noite de segunda-feira (17) em Porto Velho. O sumiço de mãe e filha ganhou imediata repercussão nas redes sociais, e uma mega mobilização se iniciou na cidade.

Segundo a Polícia Militar (PM), criminosos planejaram o crime com o intuito de levar algum veículo para Guajará-Mirim (RO). Quando estavam na Zona Sul, eles decidiram render uma caminhonete Hilux, que era conduzida pela mulher.

Os suspeitos, armados, não permitiram que a motorista descesse do veículo e fugiram levando a mãe e bebê. Logo depois do roubo, um dos criminosos ligou para o esposo da vítima e pediu R$ 8 mil de resgate.

A polícia então soube do assalto com desaparecimento de vítimas e os familiares, utilizando as redes sociais, começaram a pedir ajuda para localizar mãe e filha.

Sem farda policial

Após saber pelo WhatsApp que uma mãe e uma criança tinham sido levadas por criminosos, um policial militar de folga ficou comovido e chamou a esposa para dar uma volta de carro, no bairro, no intuito de ver alguma movimentação suspeita ou se encontrava a Hilux roubada.

No caminho, o policial também passou na casa de um amigo PM, que também os acompanhou na busca por mãe e filha. Enquanto, trafegavam pelas ruas do bairro Monte Sinai, na rua Genebra, o policial de folga viu a possível caminhonete roubada.

Inicialmente não foi possível ver a placa, e então o policial pediu para a esposa acelerar o carro e chegar mais perto da caminhonete. O PM então conseguiu confirmar que se tratava do mesmo veículo roubado com mãe e filha.

Diante da confirmação, o agente de folga fez o contato com um terceiro policial, de plantão no grupo “Tático”.

Enquanto o policial de folga avisava o colega de plantão, o suspeito na Hilux percebeu que estava sendo seguido e acelerou para tentar fugir.

Em alta velocidade, o criminoso que conduzia a caminhonete perdeu o controle do veículo e colidiu com uma árvore na calçada.

O suspeito então desceu da caminhonete e começou a atirar contra o policial de folga, que revidou com quatro disparos enquanto tentava fugir. O suspeito, segundo o PM, logo depois pulou um muro, o que dificultou saber para onde ele tinha ido.

A esposa do policial ouviu os disparo, manobrou o carro e saiu do local. Instante depois, ela encontrou uma guarnição de PM e informou sobre a troca de tiros entre seu marido e o suspeito do roubo.

A viatura que ela manteve contato era CPOC e, após ouvir o relato, um PM tentou cercar o assaltante indo pela rua logo atrás do muro que ele tinha pulado.

Enquanto isso, o policial de folga esperou alguns instantes para ver se as vítimas desciam da caminhonete, caso estivessem lá dentro, mas ninguém desceu. Ele decidiu se aproximar, com cautela, e constatou que o veículo estava vazio.

Diante daquela situação, ele enviou mensagens nos grupos de WhatsApp para pedir apoio e várias viaturas começaram a chegar.

No interior da caminhonete foi encontrado um celular e, na tela de proteção do aparelho, havia a foto de um homem, que depois foi confirmado pelos policiai como sendo o suspeito do roubo. A foto do suspeito foi publicada em grupos de WhatsApp na tentativa de localizá-lo.

Nesse momento, a guarnição da PM recebeu a informação pelo CIOP de que a mulher e a criança desaparecidas estavam em uma residência.

Relato da vítima aos policiais

Em contato com a mulher, no endereço informado pelo Ciop, a vítima disse aos policiais que por volta das 19h45 foi deixar a bebê na casa da nora. Nesse momento ela foi surpreendida por dois homens armados.

Sob ameaça e com medo de que os suspeitos fizessem algo “ruim” para a criança de 1 ano, ela se manteve calma, e eles então levaram as duas dentro da caminhonete.

A vítima disse aos policiais que, durante o percurso, ela ouviu que os suspeitos estavam em deslocamento para o Residencial Orgulho do Madeira para pegar outro homem, onde este levaria a caminhonete da vítima para Guajará-Mirim. Porém, não tiveram sucesso no plano inicial.

Os suspeitos, segundo a mulher, pararam em uma conveniência na rua Plácido de Castro e depois retornaram sentindo Zona Sul. Ao chegarem em um local com muito mato e terra, um dos suspeitos ordenou que a vítima se sentasse junto da filha. Depois de rodarem por mais de 1h30 pelas ruas, eles as soltaram.

A mulher disse que logo em seguida, na rua Magno Arsolino, encontrou com uma mulher que a ajudou e ofereceu a casa para ela ficar com a criança e se acalmar.

Regaste de R$ 8 mil

Enquanto a polícia não havia sido informada sobre a situação das vítimas, de acordo com o boletim de ocorrência, o esposo da mulher recebeu uma ligação no celular dele, onde um dos suspeitos pediu o valor de R$ 8 mil para liberar a mulher e a criança.

Segundo relatou o marido à PM, o suspeito estava “transtornado” e ele então decidiu entregar seu celular ao enteado, para que continuasse a negociação com os suspeitos.

Enquanto o enteado estava na ligação, na Avenida Mamoré, outra viatura da PM abordou um homem que tinha as características semelhantes com a da imagem do protetor de tela do celular deixado no interior da Hilux. Diante da abordagem, de imediato, o suspeito confessou ter participação no crime.

Prisão

Foi acionado a equipe de pericia da Policia Civil para fazer a coleta de digitais do suspeito para comparação com as deixadas na caminhonete. Mas diante dos fatos, foi dado voz de prisão ao suspeito e também foi informado seus direitos constitucionais e apresentado na Central de Flagrantes para providencias cabíveis.

Na delegacia, o homem reconheceu a voz do suspeito preso como sendo quem exigiu o dinheiro pela liberação da esposa e da filha.

Por Jheniffer Núbia, G1 RO

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Almi Coelho

Almi Coelho

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