O Governo Federal divulgou nesta sexta-feira (24) uma nota oficial reafirmando sua política de tolerância zero ao tráfico de drogas e ao crime organizado, após a repercussão de uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à Indonésia.
Na ocasião, Lula afirmou que “os traficantes também são vítimas dos usuários”, o que gerou críticas e ampla discussão nas redes sociais. Diante da repercussão, o presidente esclareceu, posteriormente, que é totalmente contra o tráfico e o crime organizado, afirmando que sua gestão “não vai aceitar impunidade”.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) destacou que o Governo do Brasil “atua com rigor e inteligência no combate ao tráfico de drogas” e que as forças de segurança têm obtido resultados expressivos.
Segundo o comunicado, entre 2022 e 2024 o número de operações de combate ao crime organizado praticamente dobrou, passando de 1.875 para 3.393. Apenas em 2025, até setembro, já foram realizadas 2.867 operações em todo o país.
Ainda conforme os dados oficiais, foram apreendidos cerca de R$ 7 bilhões em bens e valores de organizações criminosas em 2024 — mais do que o dobro em relação ao ano anterior. A Secom também destacou que a Polícia Rodoviária Federal registrou apreensão recorde de 850 toneladas de drogas em rodovias federais no mesmo período.
O Governo Federal informou que pretende intensificar as ações conjuntas entre a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e Forças Armadas, especialmente nas regiões de fronteira e nos estados da Amazônia Legal, onde o tráfico de entorpecentes e o contrabando ainda representam desafios significativos.
Em estados da região Norte, como Rondônia, a medida é vista como um reforço importante na luta contra o crime organizado. A presença de rotas estratégicas e áreas de difícil acesso exige integração permanente entre os governos estadual e federal.
Nos últimos meses, operações conjuntas entre as forças policiais em Ji-Paraná, Cacoal e Ariquemes já demonstraram avanços no enfrentamento às facções criminosas que utilizam o estado como rota de transporte de drogas.
Autoridades locais afirmam que o apoio federal em recursos e tecnologia é essencial para ampliar o alcance das investigações e fortalecer o policiamento ostensivo em áreas de risco. Rondônia, por ser corredor logístico entre o Centro-Oeste e a fronteira boliviana, é uma das prioridades do plano de inteligência nacional.
Ao reafirmar sua posição, o presidente Lula ressaltou que “não há espaço para o crime organizado em um país que busca paz e justiça social”.
O Palácio do Planalto garantiu que o tema permanecerá entre as prioridades da gestão, em conjunto com as discussões da PEC da Segurança Pública, que está em tramitação no Congresso Nacional e visa modernizar as políticas de combate ao crime.
Com a nova diretriz, o Governo pretende consolidar uma política de enfrentamento ao tráfico que una repressão rigorosa, inteligência policial e ações sociais voltadas à prevenção do uso de drogas e à recuperação de dependentes químicos.
Por: Almi Coelho – DRT 1207/RO
Edição: Alerta Rondônia


