O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), fez duras cobranças públicas ao ex-gestor Emanuel Pinheiro (MDB) após a descoberta de um suposto “sumiço” de R$ 10,1 milhões oriundos de emendas parlamentares federais. O dinheiro, liberado no final da gestão passada, teria sido depositado em contas específicas de convênios, mas acabou transferido para a Conta Única da Prefeitura, dificultando o rastreamento e a comprovação de sua aplicação.
Segundo Abilio, a movimentação irregular gerou desconfiança do Governo Federal, que bloqueou cerca de R$ 5,7 milhões em novas emendas destinadas ao município. Esses valores são fruto de indicações dos deputados federais José Medeiros (PL) e Nelson Barbudo (PL).
A atual gestão entrou com ação na Justiça e conseguiu uma liminar concedendo prazo de 60 dias para apresentar a prestação de contas, evitando, por ora, a perda definitiva dos recursos. Caso não consiga comprovar o uso adequado, Cuiabá poderá ficar impedida de receber novos repasses federais.
“Estamos falando de dinheiro público, que deveria estar beneficiando a população. Queremos saber onde foi parar esse recurso e por que não foi prestada a devida conta. O cidadão cuiabano não pode pagar por erros de gestão”, afirmou Abilio Brunini, durante entrevista à imprensa.
O ex-prefeito Emanuel Pinheiro ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações, mas deverá ser chamado a prestar esclarecimentos no processo administrativo instaurado pela Prefeitura.
O caso, que já repercute em todo o Estado, poderá ter desdobramentos no campo jurídico e político, inclusive com possíveis investigações sobre responsabilidade na utilização das chamadas “Emendas PIX”, modalidade de repasse direto da União a municípios.
Enquanto isso, a população cuiabana aguarda explicações concretas e teme que a situação comprometa obras e serviços que dependem desses recursos.

