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Entre o combate ao crime e o espetáculo da política, o que realmente está por trás da megaoperação no Rio de Janeiro?

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Quatro policiais mortos Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, há 26 anos na Polícia Civil; Rodrigo Veloso Cabral, com apenas 40 dias de serviço; e os bopeanos Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonça, heróis que tombaram em meio ao fogo cruzado.

Do outro lado, dezenas de mortos, mais de cem presos, e uma estatística que parece inflar e desinflar conforme o interesse de quem fala. Uns dizem 64 mortos. Outros, 132. E ninguém absolutamente ninguém fala com certeza quem eram todos eles.

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Mas há algo ainda mais nebuloso que a fumaça dos tiros nas vielas do Alemão e da Penha: a fumaça política.

Sim, leitor. Essa operação, batizada de “Contenção”, parece conter tudo menos a desconfiança.
Porque, convenhamos: em um país onde até o discurso de segurança tem palanque, é impossível não farejar o cheiro de campanha antecipada por trás do cheiro de pólvora.

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O governador Cláudio Castro subiu o tom e anunciou o feito:
“Dia histórico. O Rio está em guerra contra o narcoterrorismo.”
Enquanto isso, lá em Brasília, o Ministro da Defesa torceu o nariz, o Governo Federal disse não ter sido avisado, e o Presidente Lula afirmou que “a violência precisa ser investigada”.
Investigada, veja bem… não celebrada.

E aí você, cidadão comum, pergunta: “Mas, afinal, quem está com a razão?”
Difícil dizer. Porque enquanto um lado fala em “combate ao crime organizado”, o outro enxerga “abusos”, “execuções sumárias” e “uso político da tragédia”.
E nós, do meio do povo, ficamos tentando entender se o objetivo era realmente salvar vidas… ou garantir votos.

Pense comigo:
Qual o momento escolhido para a maior operação policial da história do Rio?
Justamente às vésperas da COP30 quando o Brasil tenta mostrar ao mundo uma imagem de país seguro e moderno.
Coincidência?
Ou o momento perfeito para transformar sangue em manchete e manchete em capital político?

Porque, cá entre nós, se a meta fosse segurança pública de verdade, o investimento seria em inteligência, investigação, educação e inclusão social não em tanques, helicópteros e discursos inflamados.

Mas o que se viu foi um espetáculo.
Um show pirotécnico de blindados, drones e câmeras, transmitido ao vivo, com direito a coletivas de imprensa que mais pareciam discursos de campanha.

E entre aplausos e notas de repúdio, o que resta?
Quatro heróis mortos.
Centenas de famílias chorando.
E uma população que, mais uma vez, acorda com a sensação de que vive em uma guerra sem fim e sem vencedor.

Enquanto isso, as facções criminosas seguem de dentro dos presídios, dando ordens como generais invisíveis.
E já se fala em retaliação nacional, ataques coordenados, toque de recolher em comunidades inteiras.
O medo se espalha, e a linha entre segurança e barbárie fica cada vez mais fina.

Mas, claro… há quem diga que tudo está sob controle.
Sob controle de quem?
Do Estado… ou do roteiro político?

No fundo, essa operação pode até ter sido necessária mas o que não dá pra negar é que ela tem cheiro, cor e ritmo de campanha eleitoral antecipada.
Porque quando a política entra em cena de farda e fuzil na mão, o povo vira figurante.
E o que era pra ser justiça, vira espetáculo.

O Rio de Janeiro sangra e o Brasil assiste, de camarote.
Entre tiros, manchetes e discursos inflamados, só uma pergunta ecoa nas vielas e nos gabinetes:

“Estamos mesmo em guerra contra o crime… ou apenas vivendo mais um ensaio de palanque?”

Por: Márcio Santos
Jornalista, escritor e observador atento do Brasil que sangra e sorri ao mesmo tempo.

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