Com a aproximação do calendário eleitoral, a política rondoniense começa a se movimentar nos bastidores, revelando um cenário marcado mais por blefes estratégicos e articulações silenciosas do que por candidaturas consolidadas ao Governo do Estado.
Entre os nomes que circulam com maior insistência está o do ex-senador Acir Gurgacz (PDT). Atuando de forma discreta, quase em “reserva”, Gurgacz tem sido citado como um dos articuladores interessados em empurrar o ex-governador Confúcio Moura para o centro da disputa. A avaliação nos bastidores é de que sua movimentação busca influenciar o tabuleiro político, mais do que assumir diretamente o protagonismo eleitoral.
O início do ano também foi marcado pelo surgimento de pré-candidaturas consideradas frágeis do ponto de vista eleitoral. Um dos primeiros anúncios partiu do ex-deputado federal Expedito Neto (PSD), derrotado na última eleição e atualmente sem expressão política relevante. A tentativa não encontrou respaldo nem mesmo dentro do próprio partido, já que o presidente estadual da sigla, Expedito Júnior, trabalha abertamente para viabilizar a candidatura do prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, visto como o nome competitivo do grupo.
Nos bastidores do PSD, o lançamento de Expedito Neto é tratado como um blefe político, sem lastro e sem perspectiva real de avanço. Além de inócua, a iniciativa acabou gerando constrangimento interno, justamente em um momento em que o partido tenta concentrar forças em torno de um projeto viável para o governo estadual.
Outro nome que entrou no radar foi o do prefeito de Vilhena, Flori Júnior (Podemos). Bem avaliado em seu município, Flori anunciou-se como alternativa para romper a polarização entre o senador Marcos Rogério e o prefeito Adailton Fúria. Apesar disso, analistas políticos avaliam que sua pretensão enfrenta obstáculos relevantes, principalmente pela tentativa de vincular sua candidatura aos interesses do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes.
A expectativa de que a capital possa chancelar uma candidatura ao governo vinda do interior é vista como improvável. A leitura predominante é de que Léo Moraes não demonstra disposição para embarcar nessa articulação. Com isso, cresce a interpretação de que Flori Júnior trabalha, na prática, para se viabilizar como possível nome para a vice-governadoria, e não necessariamente para encabeçar uma chapa majoritária.
Enquanto isso, a corrida pelo Governo de Rondônia segue em fase de acomodação, marcada por movimentos táticos, discursos calculados e articulações longe dos holofotes. À medida que o calendário eleitoral avança, a tendência é que o cenário se afunile, separando projetos consistentes de candidaturas que existem apenas no discurso.


