O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14) que pretende defender medidas mais rígidas para limitar o uso da inteligência artificial durante campanhas eleitorais no Brasil. A declaração foi feita durante evento do programa Minha Casa, Minha Vida, realizado em Camaçari, na Bahia.
Durante o discurso, Lula sugeriu que parlamentares aliados apresentem propostas legislativas para restringir o uso da tecnologia no processo eleitoral. Segundo o presidente, a política deve manter o contato direto entre candidatos e eleitores, sem interferência de ferramentas capazes de manipular imagens, vídeos e falas.
“Se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar no olho do povo e permitir que o povo olhe no olho dele para saber quem está mentindo”, afirmou o presidente.
Sem citar nomes diretamente, Lula também declarou que “a verdade tarda, mas não falha”, em meio às recentes polêmicas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e debates sobre financiamento político e conteúdos digitais.
O presidente elogiou as medidas já adotadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, que estabeleceu regras para o uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais. Entre as normas definidas pela Corte está a proibição de conteúdos produzidos por IA nas 72 horas antes e 24 horas após cada turno das eleições.
Além disso, o TSE também determinou que propagandas produzidas com conteúdo sintético informem claramente o uso da tecnologia e qual ferramenta foi utilizada. Perfis falsos, automatizados ou usados para disseminar desinformação também poderão ser removidos.
Durante o evento, Lula conversou diretamente com os senadores Jaques Wagner e Otto Alencar sobre a possibilidade de ampliar a legislação relacionada ao tema.
“Na eleição, as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso. As pessoas não podem votar numa mentira”, declarou.
O debate sobre inteligência artificial nas eleições ganhou força nos últimos meses diante do aumento de vídeos, áudios e imagens manipuladas circulando nas redes sociais. Especialistas alertam que o avanço da IA generativa pode representar um grande desafio para o combate à desinformação durante as eleições de 2026.

