Uma cachorra da raça rottweiler, que foi furtada há oito meses, reencontrou o dono após ser mantida em um cativeiro de Ji-Paraná (RO), na Região Central de Rondônia. Segundo o representante comercial Dionis Batista, Laila estava na casa do gari que mantinha outros 43 animais amarrados com cordas, entre cães e gatos. O cativeiro foi descoberto na última quinta-feira (3).
Em entrevistsa ao G1, Dionis relembra que ganhou a cadela em julho de 2016, quando a antiga dona, que é irmã dele, foi embora para os Estados Unidos. Ela não confiava em mais ninguém para cuidar do animal além do irmão.
De início, Dionis não queria a responsabilidade, pois tinha se mudado para a nova casa e lá não tinha muro. A irmã insistiu até que conseguiu convencer Diones para cuidar de Laila.
O período de adaptação com o animal foi rápido. “Minha irmã passou uns dias aqui antes de ir. Por fim, a Laila já estava mais chegada a mim do que a ela”, relembra.
Desaparecimento

Mesmo sendo uma cadela dócil, Dionis conta que não deixava Laila solta, pois a casa ainda não tinha muro.
“Geralmente eu deixava ela presa à noite e pela manhã soltava para dar uma volta e ficava olhando. Ela sempre ia a um matagal aqui perto e depois voltava”, relembra.
Em um domingo, Dionis soltou Laila e entrou em casa.
“Em menos de cinco minutos, quando voltei e chamei, ela não apareceu mais”, relembra.
O dono conta que na mesma hora pegou a moto e percorreu várias ruas do bairro para tentar achar a cadela. A busca incessante durou três meses, até que ele perdeu as esperanças.
“Eu sai de porta em porta perguntando da Laila. Não teve uma casa desse bairro que eu não perguntei. Cheguei a oferecer R$500 de recompensa para quem nos informasse, mas não conseguimos encontrá-la”, afirma.
Sem nenhuma expectativa de conseguir encontrar Laila, Dionis relembra que, durante os sete meses de sumiço, a saudade de Laila era grande.
“Eu cheguei a apagar várias fotos dela, pois doía ver e lembrar. Eu deitava e ficava pensando: 'onde que deve estar? Será que estão cuidando bem dela?”, diz.
Reencontro
Depois de mais de sete meses sem ter notícias de Laila, Dionis já tinha doado a ração da cadela e pensava doar também a casinha. Na noite da última quinta-feira (3), um vídeo em uma rede social mudou toda a história de Laila e Dionis.
“A veterinária que acompanhou o caso do cativeiro dos animais publicou o vídeo na página da ONG. Quando bati o olho tive certeza: é a Laila”, diz relembrando.
Depois do vídeo, Dionis procurou pela veterinária para reconhecer se realmente era a Laila. Levou algumas fotos que tinha com o animal para comprovar, mas, o que na verdade provou que a cadela era mesmo a furtada, foi o encontro dos dois.
Após o reencontro com Laila, Dionis registrou uma ocorrência relatando o furto da cadela.
Volta para casa
Batista conta que quando viu a situação em que vivia Laila, sempre presa, foi um sentimento ruim e a volta para casa ainda está sendo uma readaptação, pois Laila está assusta.
“A gente percebe que ela mudou. Fica retraída, tem medo de muita coisa. Qualquer coisinha ela já se abaixa, fica quietinha e antes ela não era assim. Está latindo bem menos do que latia”, explica.
A casa ainda está sem muro, mas já é algo que está sendo providenciado. “Já estou correndo atrás para resolver isso. É muito bom tê-la de volta, mas, melhor ainda, será que ela nunca mais desapareça”, espera.
Animais a serem reconhecidos

Segundo a chefa de controle de pragas urbanas de Ji-Paraná, Regiani Possebon Scmoor, dos 44 animais que foram resgatados do cativeiro, 11 já foram reconhecidos e levados para casa dos donos.
Ainda restam 27 cães e seis gatos no Centro de Zoonoses que não foram reconhecidos e devem entrar para a adoção a partir de quarta-feira (9).
“Nós temos um prazo de 72 horas úteis e depois esses animais vão para a adoção”, explica.
Se o dono reconheceu o animal, é necessário que ele vá ao centro com alguma foto, seja impressa ou digital.
Caso o dono não tenha nenhuma imagem, o quesito afeição no momento do encontro também é levado em consideração.
Suspeito
Em contato com o delegado de Polícia Civil, Luiz Carlos Hora, a equipe do G1 foi informada que os órgãos que participaram da ação ainda não oficializaram a denúncia na Delegacia de Polícia Civil.
Segundo ele, sem que haja essa denúncia oficial do caso, a polícia não tem condições de pedir a prisão do suspeito.




