Casos como o da empresária Jessika Aldrey Germiniani, que teve o pulmão perfurado em uma sessão de acupuntura para aliviar dores no pescoço em Sorriso (MT), são raros, explica o coordenador da Associação Brasileira de Acupuntura (ABA), Sérgio Galdino. No entanto, ele diz que técnica pode causar traumas a tecidos e órgãos do paciente quando realizada por alguém sem experiência ou habilitação.
“Por exemplo, não se recomenda agulhas cumpridas nessa região, porque os pontos de acupuntura são pontos superficiais, de três a quatro milímetros. Então colocamos agulhas pequenas, e mesmo que aconteça de a pessoa esbarrar o braço na agulha, ela não chega a perfurar o órgão”, afirma.
Sérgio explica que agulhas cumpridas são colocadas, geralmente, em regiões como os glúteos e ombros.
“Até porque o profissional quando é formado é orientado a não colocar agulhas grandes em regiões dos órgãos vitais. Então é muito raro isso acontecer”, diz.
O coordenador afirma que o curso da ABA de acupuntura é de 25 meses e ensina técnicas específicas. Um profissional precisa ter essa habilitação para atuar.
A associação também afirma que está apurando a situação para saber se a profissional tem realmente habilitação para a acupuntura ou se entra no procedimento ilegal.
O médico acupunturiatra André Luiz Zanchetta Penedo, que atua na área há mais de 20 anos, explicou que afirma que apesar de parecer simples, a acupuntura requer técnicas específicas: a agulha deve ser inserida em uma profundidade e ângulo certo, com o estímulo certo para acontecer o resultado.
“Se for um paciente magro, por exemplo, você não pode aprofundar a agulha como [se fosse] em um paciente com um peso mais elevado. É preciso também saber o que a pessoa tem antes de resolver o problema. Tem que ter noção do diagnóstico do paciente e do que a sua terapia faz.”
O especialista afirmou ainda que não é normal sentir dores intensas no momento do procedimento e que, caso isso aconteça, o paciente deve ser acompanhado e encaminhado ao hospital.


