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Transparência e regulação são fundamentais na discussão sobre IA, dizem debatedores

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influenciar o voto de determinada pessoa, então não importa o conteúdo, importa o resultado. Essas ferramentas não têm uma ética, por mais que a gente possa pensar numa ética by design, elas não têm moral, elas não têm um compromisso com a verdade necessariamente, então isso é um desafio imenso”, afirmou.

Para a coordenadora, é preciso pensar não só em identificar os conteúdos como produzidos por IA, mas também informar quem produziu, com que finalidade e quem distribuiu. Esse conjunto de informações, para ela, é um caminho para dar poder de decisão a quem consome as informações.

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Projeto

Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, lembrou que a preocupação com a transparência é com os direitos dos cidadãos. Algumas dessas questões, segundo a especialista, já estão presentes no PL 2.338/2023 , que regulamenta os sistemas de inteligência artificial no Brasil. Apresentado pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) , presidente do Senado, o projeto é resultado do trabalho de uma comissão de juristas que analisou, ao longo de 2022, outras propostas relacionadas ao assunto, além da legislação já existente em outros países.

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“Tenho como sugestão de inclusão a questão da análise crítica do uso dessa ferramenta e de como a gente pode melhorar essa utilização da tecnologia a partir do pilar transparência, identificando claramente que determinados assuntos ou determinadas funções estão sendo mediadas por uma tecnologia com aprendizado de máquina, com inteligência artificial, com depuração de dados, e seguindo, também, outras questões — que para mim são fundamentais — que tratam dos direitos de todos nós, os cidadãos.”

Para o secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, João Caldeira Brant, é preciso fortalecer as regulações setoriais sobre temas como redes sociais, radiodifusão e regras eleitorais. A discussão, na visão do secretário, tem que ser sobre em que medida a norma de inteligência artificial vai entrar cobrindo lacunas e estabelecendo proteções gerais e até que ponto ela precisa estar subjugada a regulamentos específicos.

Tempo

A professora Dora Kaufman, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), lembrou que não há um marco regulatório sobre o tema em todo o ocidente, o que mostra sua complexidade. Ela lembrou que o marco regulatório da internet foi discutido por cinco anos e que o PL 2338 está sendo discutido há seis meses, o que é pouco tempo para um assunto dessa magnitude.

“Minha preocupação, no momento, é aprovarmos algo tão complexo que tenha pouca viabilidade, favorecendo a concentração de mercado em grandes empresas ou uma regulamentação tão generalista que seja inócua na missão de proteger a sociedade. Em suma, o que o que eu queria transmitir é que eu não creio que o tema da regulamentação já esteja suficientemente maduro no Brasil para estabelecer marco regulatório, apesar de eu ser absolutamente a favor de existir esse marco”, disse.

O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que presidiu a audiência, lembrou que a comissão tem feito debates com diversos setores para ouvir diferentes perspectivas. Entre esses setores, ele citou as agências reguladoras e especialistas em proteção de dados.

Texto produzido com informações da Agência Senado.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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