A intensificação do conflito no Golfo Pérsico, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, já causa impactos profundos na economia mundial, com reflexos diretos no preço dos combustíveis, na inflação e no crescimento econômico de diversos países.
Os ataques e contra-ataques têm como alvo infraestruturas estratégicas, como refinarias, oleodutos, campos de gás e terminais de exportação de petróleo. Um dos episódios mais críticos ocorreu no Catar, onde o terminal de gás natural de Ras Laffan — responsável por cerca de 20% da produção mundial de gás natural liquefeito (GNL) — foi atingido, comprometendo significativamente a capacidade de exportação.
Outro ponto de tensão é o Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido no planeta. A ameaça iraniana à navegação na região praticamente interrompeu o fluxo de navios petroleiros, forçando países como Kuwait e Iraque a reduzir sua produção por falta de escoamento.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, a crise atual já configura a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo. A consequência imediata foi a disparada dos preços: o barril do tipo Brent ultrapassou os US$ 100, enquanto o petróleo norte-americano se aproxima desse patamar.
Especialistas alertam para efeitos duradouros. O economista Christopher Knittel afirma que a destruição de infraestrutura energética indica que os impactos não serão temporários. “As consequências dessa guerra serão prolongadas”, destacou.
O cenário reacende o temor de uma nova onda de estagflação, fenômeno que marcou a crise do petróleo nos anos 1970. Para a economista Carmen Reinhart, o mundo pode enfrentar inflação mais alta combinada com desaceleração econômica.
Estimativas também apontam para queda no crescimento global. Segundo Gita Gopinath, a alta nos preços da energia pode reduzir em até 0,4 ponto percentual a expansão da economia mundial nos próximos anos.
Países em desenvolvimento, como o Brasil, devem sentir os efeitos de forma mais intensa, com aumento no custo dos combustíveis, pressão sobre os alimentos e necessidade de intervenção governamental para conter os impactos sociais.
Diante desse cenário, analistas avaliam que o conflito no Golfo Pérsico já ultrapassa os limites regionais e se consolida como uma crise com potencial de afetar a economia global por um longo período.

