Uma lancha de passageiros naufragou na tarde desta sexta-feira (13) nas proximidades do Encontro das Águas, na região de Manaus, provocando um dos mais graves acidentes de transporte fluvial registrados no estado em anos.
Acidente e resgate
A embarcação, identificada como Lima de Abreu XV, partiu de Manaus por volta das 12h30 com destino a Nova Olinda do Norte, quando, ainda em travessia pelo encontro dos rios Negro e Solimões, virou durante a navegação. Segundo equipes de resgate, o naufrágio ocorreu em um trecho com ventos fortes e banzeiros — ondas naturais formadas pela movimentação das correntes — cuja combinação pode ter contribuído para a perda de estabilidade da lancha.
Imagens registradas por testemunhas mostram passageiros, incluindo mulheres e crianças, agarrados a coletes e bóias enquanto aguardavam socorro na água. Em muitos casos, sobreviventes foram auxiliados por embarcações que passavam pelo local antes da chegada das equipes oficiais.
Mortes, desaparecidos e sobreviventes
Autoridades confirmaram que pelo menos duas pessoas morreram, entre elas uma criança de cerca de 3 anos, que foi levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas chegou sem vida à unidade.
Além disso, sete pessoas seguem desaparecidas após o acidente, e buscas continuam nas águas intensas da região.
Por outro lado, 71 passageiros foram resgatados, alguns com ferimentos leves, e estão sendo atendidos no Porto da Ceasa, na zona Sul de Manaus, onde receberam cuidados médicos e acompanhamento.
Caso comovente: bebê prematuro resgatado
Entre os sobreviventes está um bebê prematuro de apenas cinco dias, encontrado com vida dentro de um cooler que flutuava no rio após o naufrágio. A mãe da criança, que havia viajado à capital para dar à luz, também foi resgatada e levada para atendimento.
Segundo relatos, o recém-nascido foi colocado na caixa térmica pelos próprios passageiros como forma de proteção enquanto aguardavam resgate — uma ação que muitos descreveram como um momento de “milagre” em meio à tragédia.
Operação de busca e investigação
A operação de resgate mobilizou uma força-tarefa com cerca de 25 bombeiros do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, três lanchas, oito viaturas, ambulâncias do Samu e suporte de embarcações da Polícia Militar.
A Marinha do Brasil instaurou um inquérito administrativo para investigar as causas do naufrágio, incluindo a verificação de possíveis falhas na segurança da embarcação, documentação, condições da navegação e cumprimento das normas de transporte fluvial.
Autoridades seguem pedindo cautela enquanto as buscas pelos desaparecidos continuam, e atualizações oficiais devem ser divulgadas conforme o avanço das investigações.

