Lula e Flávio Bolsonaro seguem em ascensão enquanto demais candidatos desidratam
Lula e Flávio Bolsonaro seguem em ascensão enquanto demais candidatos desidratam
Na reta final antes do primeiro turno, as pesquisas eleitorais desta semana apontam os dois principais candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro, em ascensão enquanto os demais seguem em queda.
A pesquisa Atlas/ Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (23), mostrou Lula na liderança no primeiro turno com 45,8% das intenções de voto contra 43,4% de Flávio. Renan Santos (Missão) aparece em terceiro, com 4,6%, seguido por Augusto Cury (Avante), com 2,1%. Ronaldo Caiado (PSD) tem 1,4% e Romeu Zema (Novo) tem 0,9%. Os demais candidatos somados atingem 0,8%.
A pesquisa Quaest, do início da semana, encomendada pelo grupo Globo, já apontava o cenário. Lula com 37% dos votos e Flávio Bolsonaro com 33%. O quadro é considerado como empate no limite da margem de erro.
Na espontânea, quando os entrevistados não são apresentados previamente aos nomes dos candidatos, o índice de indecisos caiu para 35% frente aos 42% no início do mês. Um ponto que chama a atenção, e que costuma influenciar no resultado final nas urnas, é a rejeição a ambos. Lula é rejeitado por 55% enquanto 56% afirmam não votar em Flávio.
Com a desidratação das demais candidaturas, ao longo da semana, a opinião pública passou a ventilar a ideia de que o pleito presidencial poderia ser resolvido já no primeiro turno. Um quadro considerado possível, mas pouco provável, segundo analistas políticos.
“É importante olhar para a perspectiva histórica. Desde a redemocratização, nós só tivemos duas eleições resolvidas em primeiro turno, em 94 e 98, essas duas vezes foram condições muito específicas, no contexto de aprovação do Plano Real. O presidente Lula na passagem do primeiro para o segundo mandato, mesmo com boa aprovação, não conseguiu ganhar em primeiro turno; isso não aconteceu nem na transição para a Dilma, com a aprovação acima dos 80%”, lembra o cientista político Matheus Toledo.
Coordenador do Núcleo de Opinião Pública, Pesquisas e Estudos (NOPPE) da Fundação Perseu Abramo, ele destaca o movimento do voto útil, que apareceu nas duas últimas eleições. “Em 2018 e 2022, observamos essa tentativa de antecipar a disputa. Em 2018, a candidatura de Alckmin foi desidratada na reta final, chegando às urnas com menos de 5%, o mesmo aconteceu com Ciro Gomes e Simone Tebet em 2022”, comenta Toledo.
Sobre a possibilidade de resolução no primeiro turno em 2026, o coordenador do NOPPE afirma que: “seria necessário uma antecipação na ordem de mais de 10 pontos percentuais deslocados para o Lula ou para o Flávio. É possível? Sim. Mas os números não têm indicado ser provável”.
Abstenção
A abstenção é um ponto de atenção. O descrédito no pleito é uma tendência a cada nova eleição. Mesmo com voto obrigatório, em 2022, 31 milhões de pessoas não participaram, o que representa 20% do eleitorado, número recorde desde 1998.
“Alguns institutos têm tentado mapear o fenômeno, como a Quaest, mas ainda assim é bastante complexo prever quem vai e quem não vai pra urna”, opina Toledo.
Para o cientista político, a abstenção pode ser decisiva no resultado do primeiro turno. “O que pode decidir uma abstenção assimétrica, ou seja, se os eleitores de um determinado campo não forem às urnas. Em uma disputa ponto a ponto, se algum candidato apresentar na reta final um impulso para vencer em primeiro turno esse fato também pode ser decisivo”, afirma.
Rejeição e indecisos
Matheus Toledo explica que as altas nos índices de rejeição se tornaram um fenômeno comum, observado desde 2018. “Se tornou comum o cenário de dois candidatos concentrarem ao mesmo tempo alta intenção de votos e alto índice de rejeição, isso significa, inclusive, que há eleitores que rejeitam ambos. Então, o que acaba pesando na decisão final desse eleitor é ‘quem ele rejeita mais’, ‘quem ele tem mais medo que ganhe’, a Quaest está fazendo essa pergunta nas pesquisas. E os números atuais mostram um empate entre o medo da volta da família Bolsonaro e o medo da continuidade do governo Lula.”
“Por se tratar de uma eleição muito acirrada, acaba sendo decisiva a movimentação da parcela que rejeita ambos, a decisão deles sobre quem eles acreditam ser o menos pior”, completa Toledo.
A pesquisa Quaest apontou que há 21% do eleitorado disposto a mudar seu voto. O dado, na opinião do coordenador do NOPPE, pode ser definidor do resultado a partir de movimentações de reta final, inclusive para os resultados finais para governadores e senadores.
Nesse sentido, o eleitorado feminino segue em disputa. No levantamento da Quaest, as mulheres são maioria entre os indecisos. “É decisivo pensar nesse espaço de crescimento entre as mulheres porque elas tendem a ser o eleitorado que toma a decisão do voto mais próximo do dia da eleição e a rejeição delas perante a família Bolsonaro é maior”, comenta Matheus Toledo.



