O debate sobre a cobrança de pedágio na BR-364, em Rondônia, tem ganhado força nos últimos dias, especialmente no meio político. Pré-candidatos e lideranças têm usado o tema para criticar os valores cobrados e apontar culpados, numa clara tentativa de conquistar apoio popular. No entanto, a opinião de quem realmente utiliza a rodovia diariamente revela um cenário mais equilibrado.
No trecho entre Vilhena e Porto Velho, usuários relatam uma melhoria significativa na infraestrutura da estrada, estimada em cerca de 75% em relação às condições anteriores à concessão. A diferença é perceptível, principalmente em relação à segurança e aos serviços oferecidos ao longo da rodovia.
Entre os avanços apontados estão a instalação de torres de internet a cada 15 quilômetros, pontos de apoio ao usuário, ambulâncias posicionadas estrategicamente, viaturas de segurança com médicos e enfermeiros, além de guinchos disponíveis para atendimento rápido em casos de pane ou acidentes. Medidas que, segundo motoristas, têm reduzido o tempo de resposta em ocorrências e aumentado a sensação de segurança durante as viagens.
Motoristas profissionais e usuários frequentes afirmam que, apesar do custo do pedágio, os benefícios oferecidos pela nova concessionária compensam o valor cobrado. Para muitos, o atual padrão de atendimento representa um avanço em relação ao abandono vivido por anos na principal rodovia federal do estado.
Enquanto o trecho rondoniense concedido recebe investimentos e manutenção constante, outra realidade chama a atenção: o segmento da BR-364 que liga Porto Velho a Rio Branco, no Acre. A rodovia segue em condições precárias, com problemas estruturais e ausência de serviços semelhantes aos existentes em Rondônia. Mesmo assim, a situação dos moradores acreanos raramente é citada nos discursos políticos.
Para usuários, a discussão deveria ir além da polarização política e focar em soluções concretas, fiscalização dos contratos e cobrança por melhorias onde elas ainda não chegaram. O pedágio, defendem, deve ser acompanhado de serviços eficientes e transparência, não apenas usado como ferramenta de discurso eleitoral.
Por Almi Coelho – DRT 1207/RO


