O presidente da CPI mista do Instituto Nacional do Seguro Social, senador Carlos Viana (Podemos-MG), adquiriu em outubro do ano passado uma aeronave avaliada em R$ 1,5 milhão. O valor corresponde a cerca de 42% dos R$ 3,5 milhões em bens declarados pelo parlamentar nas últimas eleições.
O avião é um modelo EMB-810D, fabricado em 1984 pela Neiva, com prefixo PT-RVD. A aeronave possui dois motores, pouso convencional e capacidade para até cinco passageiros, além do piloto.
De acordo com registros da Agência Nacional de Aviação Civil, o avião está registrado em nome da Fazenda Salto Grande, empresa agropecuária pertencente ao senador. O empreendimento foi criado em 2022 e declarado inicialmente com valor de R$ 400 mil.
Em nota, Viana afirmou que a aquisição foi feita por meio de pessoa jurídica regularmente constituída, destacando que a fazenda não é uma propriedade rural em nome de pessoa física, mas sim uma empresa formal do setor agropecuário. Segundo ele, todas as quotas da empresa estão devidamente declaradas no Imposto de Renda desde sua criação.
Dados da Receita Federal indicam que a Fazenda Salto Grande tem como único sócio-administrador o próprio senador e está localizada em Verdelândia (MG), com atividade voltada à criação de bovinos para corte.
Eleito senador em 2018, Carlos Viana disputou o governo de Minas Gerais em 2022 e a Prefeitura de Belo Horizonte em 2024. Atualmente, é pré-candidato à reeleição.
Sua atuação à frente da CPI do INSS, porém, tem sido marcada por controvérsias. O parlamentar assumiu a presidência da comissão em agosto de 2025, em uma articulação da oposição, mas passou a enfrentar resistência da base governista após o avanço das investigações sobre o chamado “escândalo do Banco Master”.
Além disso, o senador foi alvo de críticas após o envio de uma emenda parlamentar de R$ 3,6 milhões à Igreja Batista da Lagoinha, ligada à Fundação Oásis. A instituição tem conexões com lideranças religiosas próximas ao entorno político de Viana, o que levantou suspeitas de possível conflito de interesses.
Deputados do PT chegaram a pedir o afastamento do senador da presidência da CPI, alegando comprometimento de sua imparcialidade nas investigações.
Em meio ao impasse sobre a continuidade da comissão, o senador recorreu ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu uma liminar concedida pelo ministro André Mendonça para prorrogar os trabalhos da CPI.
No entanto, o plenário do STF derrubou a decisão nesta quinta-feira (26), encerrando a extensão da comissão e impondo uma derrota ao parlamentar.
A compra do avião, somada às disputas políticas e questionamentos sobre sua atuação na CPI, amplia a pressão sobre Carlos Viana em um momento sensível de sua trajetória política, especialmente às vésperas de uma nova disputa eleitoral.

