No segundo dia do BiS Brasília, realizado em 3 de junho de 2026, no Royal Tulip Alvorada, em Brasília (DF), um dos debates mais incisivos da programação tratou do impacto econômico do mercado regulado no país e da dificuldade de comunicar esse resultado à sociedade. O painel ocorreu das 11h40 às 12h10 e reuniu Witoldo Hendrich, Presidente da ABRAJOGO, e José Francisco Mansur, Advogado e Sócio do CSMV Advogados.
Ao longo da conversa, os dois participantes defenderam que o setor já gera arrecadação relevante, contribui para políticas públicas e, ao mesmo tempo, enfrenta um ambiente de desconfiança política e social.
A discussão ganhou peso especial dentro do evento de apostas porque deslocou o foco da operação para o destino dos recursos e para o ambiente institucional em torno do mercado.
Em vez de apenas discutir crescimento, os painelistas passaram por temas como arrecadação, combate ao ilegal, carga tributária, segurança jurídica e comunicação pública. O tom foi direto: na avaliação dos debatedores, o setor regulado ainda não conseguiu transformar números e entregas concretas em percepção positiva fora do seu próprio circuito.
Logo no início do painel, Advogado e Sócio do CSMV Advogados, José Francisco Mansur, afirmou: “O que me surpreendeu muito foi esse processo de demonização do nosso segmento que estamos enfrentando hoje no ano eleitoral mais do que nunca.”
A fala sintetizou um dos eixos centrais do debate no BiS Brasília: o descompasso entre a arrecadação gerada pelo mercado e a narrativa pública que se consolidou em torno das apostas .
O que os debatedores disseram sobre arrecadação e políticas públicas?
Durante a conversa, os participantes destacaram que o mercado regulado já produz efeitos concretos para diferentes áreas. Presidente da ABRAJOGO, Witoldo Hendrich, ressaltou que o setor precisa comunicar melhor esses resultados e deixar mais claro para a sociedade onde os recursos estão sendo aplicados.
Na mesma linha, Mansur afirmou: “Eu estimo R$ 4,4 bilhões de reais em destinos ao longo de 2025.” Em seguida, ele ampliou esse raciocínio ao lembrar que, somados os tributos e demais incidências, o total movimentado seria ainda maior.
Ao defender que esse impacto precisa ser explicado com mais clareza, Mansur declarou: “Precisamos investir mais em comunicação, precisamos conversar melhor com a sociedade.”
A observação apareceu como um dos pontos mais fortes do painel. Para ele, o setor consegue dialogar com o Congresso, mas ainda falha ao tentar explicar ao público os efeitos econômicos e institucionais do mercado regulado.
A avaliação foi acompanhada por Hendrich, que reforçou a ideia de que os benefícios concretos ainda não foram plenamente assimilados fora do ambiente técnico e político do setor.
Ao citar recursos destinados a áreas como esporte, segurança e políticas públicas, os dois participantes sustentaram que a atividade não pode ser reduzida a uma leitura simplista sobre endividamento ou risco social sem considerar o restante do ecossistema.
Por que a comunicação e o combate ao ilegal dominaram o debate?
Outro ponto central da conversa foi a defesa de medidas mais firmes contra operações irregulares. Para os debatedores, o fortalecimento do mercado autorizado depende tanto da fiscalização quanto da capacidade de sufocar financeiramente o ilegal, especialmente pelos meios de pagamento. Nesse contexto, Mansur afirmou que o combate ao mercado clandestino pode ser mais eficiente para elevar a arrecadação do que o simples aumento de carga tributária.
Ao falar sobre a imagem pública do setor, Hendrich afirmou: “Hoje, ser inimigo das apostas autorizadas é ser amigo do crime organizado.”
A frase foi uma das mais contundentes do painel e resumiu o entendimento de que enfraquecer quem está dentro das regras pode acabar favorecendo estruturas que operam à margem da regulação.
Já na reta final, o debate também abordou o efeito da insegurança regulatória sobre pequenos e médios operadores e sobre o capital estrangeiro. Mansur afirmou: “Há jogadores importantes que disseram: ‘Vou assistir um ou dois anos e depois vou embora.’”
A observação serviu para ilustrar como mudanças de narrativa, ameaças de revisão de regras e aumento de tributos afetam a confiança de quem avalia investir no país.
Com isso, o painel deixou uma mensagem clara no segundo dia do BiS Brasília: a disputa em torno do setor não é apenas econômica ou jurídica, mas também comunicacional.
Para os participantes, o mercado regulado já produz arrecadação, empregos e mecanismos de controle, mas ainda precisa convencer a sociedade de que esses resultados existem e precisam ser preservados.
Dentro desse cenário, o debate apontou que a sustentabilidade do setor dependerá tanto de regras estáveis quanto da capacidade de explicar, com clareza, o que está em jogo no Brasil.

