A crise humanitária dos povos ianomâmis traz um grande alerta a todos os indígenas na Amazônia – que tem sido palco de grandes tragédias ambientais. São cerca de 30 mil indígenas que vivem entre as regiões do Amazonas e Roraima, além de 371 comunidades isoladas. Durante o último governo, o garimpo se expandiu na região, principal causa das mortes.
No estado do Acre se concentra cerca de 15 etnias indígenas, as terras indígenas acreanas são reconhecidas e representam mais de 14,56% do território do Estado. De acordo com o censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no final do ano passado, foram entrevistados 860.358 indígenas em todo o Brasil.
Em entrevista ao ContilNet, a assessora Especial Indígena do Governo, Francisca Arara, explica a situação dos indígenas do Acre. Segundo ela, não há nenhuma ameaça nas terras em relação ao garimpo. A única preocupação é quanto à abertura das estradas, podendo afetar as terras indígenas e áreas de preservação ambiental.
Segundo uma reportagem da Eco, desde 2019, o Ministério Público Federal (MPF) no Acre junto à justiça alega ser contra projetos de abertura de rodovias – que visam tirar os municípios do isolamento geográfico.
Atualmente são quatro projetos a serem executados e que podem trazer impactos as terras indígenas da região, são eles: rodovia que ligam o extremo Acre ao Peru; abertura de estrada entre os municípios de Rodrigues Alves e Porto Walter, no Alto Rio Juruá; conexão entre Feijó e Envira, no Amazonas; e a ligação de Santa Rosa do Purus com Manoel Urbano.
De acordo com Francisca, algumas terras indígenas possuem seus protocolos de consulta e planos de gestão territorial.
“A nossa batalha no Estado do Acre, mesmo sabendo que com as questões das mudanças climáticas, os rios estão secando, exemplo é a situação de Cruzeiro do Sul a Porto Walter, creio que em outros lugares, no verão se não for pelo ramal, vai ser difícil chegar as mercadorias”, disse.

