Ação realizada nesta sexta-feira (30) combate a extração clandestina de ouro nas proximidades da Usina de Jirau, em Porto Velho; dragas avaliadas em mais de R$ 4 milhões foram identificadas em áreas sem autorização ambiental.
A Polícia Federal (PF), em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), deflagrou nesta sexta-feira, 30 de outubro, a segunda fase da Operação Nêmesis, com o objetivo de combater a exploração ilegal de ouro no Rio Madeira, no trecho localizado acima da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho, capital de Rondônia.
A operação teve como alvo dragas de grande porte utilizadas na extração clandestina de ouro. Conforme a Polícia Federal, as estruturas estavam operando em áreas sem Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) e sem licenciamento ambiental, situação confirmada após cruzamento de informações com os registros da Agência Nacional de Mineração (ANM).
A fiscalização foi direcionada exclusivamente aos pontos considerados irregulares, preservando as áreas que possuem títulos minerários e licenças ambientais válidos.
Segundo as investigações, imagens de satélite revelaram que as dragas já estavam concentradas na região desde abril de 2025. Durante esse período, as estruturas mudaram de posição ao longo do rio, permanecendo fora das áreas autorizadas e provocando alterações nas margens.
Um dos pontos que chamou a atenção das autoridades foi o alto valor dos equipamentos utilizados. Cada draga possui valor médio estimado superior a R$ 4 milhões, o que, segundo a PF, demonstra a existência de uma atividade estruturada e com capacidade de exploração em larga escala.
As autoridades destacam que o porte das embarcações e o investimento necessário para mantê-las em funcionamento afastam a hipótese de garimpo individual ou rudimentar.
Durante a fiscalização, os agentes constataram que as dragas estavam localizadas a aproximadamente 27 quilômetros da Usina de Jirau, em uma região onde não havia condições adequadas para realizar o reboque ou armazenar as estruturas.
Diante da impossibilidade de remoção, foi adotada a medida de inutilização dos equipamentos, conforme previsto no artigo 111 do Decreto nº 6.514/2008.
Antes do procedimento, as equipes retiraram mercúrio metálico e outras substâncias nocivas encontradas nas embarcações, evitando que os materiais fossem lançados diretamente no Rio Madeira.
Também foram apreendidas armas de fogo e equipamentos utilizados na queima do amálgama para separação do ouro, alguns apresentando vestígios de mercúrio.
Outro aspecto preocupante identificado durante a operação foi a utilização de mercúrio no processo de extração do ouro.
A substância é altamente tóxica e representa riscos graves ao meio ambiente e à saúde humana. Quando liberada na natureza, pode contaminar a água, os sedimentos e os peixes, afetando principalmente as populações ribeirinhas e indígenas que dependem do Rio Madeira para alimentação e sobrevivência.
Além da contaminação química, a exploração ilegal provoca assoreamento, degradação das margens e impactos sobre os ecossistemas aquáticos.
A legislação brasileira estabelece restrições ao uso do mercúrio na mineração, exigindo autorização e controle ambiental. O Brasil também é signatário da Convenção de Minamata, acordo internacional voltado à redução dos riscos provocados pelo metal.
As investigações continuam com o objetivo de identificar não apenas os responsáveis pela operação das dragas, mas também os financiadores, fornecedores de mercúrio, operadores logísticos e possíveis receptadores do ouro extraído ilegalmente.
Conforme a Polícia Federal, os envolvidos poderão responder, de acordo com suas respectivas participações, por crimes como extração mineral sem autorização, usurpação de bens da União, utilização irregular de substâncias tóxicas e associação criminosa.
As penas previstas para esses delitos podem chegar a cinco anos de privação de liberdade, dependendo do enquadramento legal, além da aplicação de multas.
A segunda fase da Operação Nêmesis reforça a atuação dos órgãos federais no enfrentamento ao garimpo clandestino em Rondônia, especialmente no Rio Madeira, uma das principais bacias hidrográficas da Amazônia.
Fonte: Polícia Federal / Ibama
Da Redação – Alerta Rondônia


