Uma proposta em tramitação no Congresso Nacional que pode adiar por até 10 anos o fim da escala de trabalho 6×1 está gerando forte repercussão em Rondônia e em todo o Brasil. A medida ganhou ainda mais destaque após quatro deputados federais rondonienses assinarem uma emenda considerada prejudicial aos trabalhadores por sindicatos e movimentos sociais.
A escala 6×1, atualmente adotada em diversos setores do país, prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um dia de descanso. A proposta original em discussão no Congresso busca reduzir a jornada para cinco dias trabalhados e dois dias de folga semanal, sem redução salarial, garantindo mais qualidade de vida ao trabalhador brasileiro.
No entanto, a emenda assinada pelos deputados federais Lúcio Mosquini, Coronel Chrisóstomo, Fernando Máximo e Thiago Flores propõe que o segundo dia de descanso semanal só passe a valer a partir de 2036.
Além disso, o texto altera a proposta inicial que previa redução gradual da carga horária para 36 horas semanais, estabelecendo o limite em 40 horas semanais. Outro trecho que gerou críticas autoriza que acordos individuais ou coletivos ampliem a jornada em até 30%, o que, na prática, pode permitir jornadas de até 52 horas por semana.
A situação provocou debates acalorados nas redes sociais e grupos de WhatsApp, principalmente entre trabalhadores e apoiadores da redução da jornada de trabalho.
O deputado federal Rafael Fera, do Podemos, também acabou envolvido na polêmica após ter seu nome divulgado como suposto apoiador da medida. No entanto, o parlamentar utilizou suas redes sociais para negar apoio à proposta e alegou que houve um equívoco dentro de seu gabinete.
Segundo Rafael Fera, um assessor técnico aderiu à emenda sem sua autorização. O deputado afirmou que, ao tomar conhecimento do caso, determinou imediatamente a retirada da assinatura digital.
“Quero ser absolutamente claro: não compactuo e nunca compactuarei com qualquer medida que prejudique o trabalhador brasileiro. Sou contra o aumento de jornada e a favor do fim da escala 6×1”, declarou o parlamentar.
Ainda na nota pública, Rafael Fera afirmou que acredita no direito do trabalhador ao descanso digno e ao convívio familiar, ressaltando que medidas administrativas já foram adotadas internamente.
O tema continua dividindo opiniões no Congresso Nacional. Enquanto parlamentares ligados ao setor empresarial defendem uma transição gradual para evitar impactos econômicos, movimentos trabalhistas argumentam que a mudança é necessária para melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores brasileiros.
A proposta segue em debate nas comissões da Câmara dos Deputados e promete continuar movimentando o cenário político nacional nos próximos meses.

