Deputado federal escolhido por Marcos Rogério para coordenar os trabalhos afirma que equipe vai levantar a situação financeira e administrativa do Estado para orientar decisões da nova gestão.
O deputado federal Lúcio Mosquini (PL) afirmou que a equipe de transição do governo de Rondônia terá atuação técnica e não será utilizada para perseguir integrantes da atual administração.
Escolhido pelo governador eleito Marcos Rogério (PL) para coordenar os trabalhos, o parlamentar disse que a principal missão será levantar informações sobre as contas públicas, as dívidas e os contratos do Estado, oferecendo um diagnóstico da situação administrativa e financeira para subsidiar as decisões do futuro governo.
A escolha de Mosquini foi anunciada pelo próprio Marcos Rogério durante entrevista à Rádio 97,9 FM, de Machadinho d’Oeste. Na ocasião, o governador eleito explicou que pretende montar uma equipe reduzida, com prioridade para a análise técnica das informações.
“A nossa transição vai ser muito curta, muito enxuta, não vai ser muita gente, vai ser focado mais na parte técnica”, declarou Marcos Rogério, ao justificar o convite ao deputado federal, que, segundo ele, possui experiência em trabalhos semelhantes.
Em entrevista ao site Informa Rondônia, concedida por ligação de WhatsApp, Mosquini agradeceu a confiança e afirmou que aceitou a missão com o objetivo de contribuir para o início da nova administração. Ele também ressaltou que não pretende utilizar a função como instrumento para conseguir cargos ou indicar pessoas para o governo.
“Eu quero publicamente agradecer o Marcos Rogério pelo convite e dizer que a nossa missão é ajudar o Marcos a fazer um bom governo. E eu não preciso de cargo nenhum no governo. Eu não tenho gente para indicar para o Marcos”, afirmou.
Diagnóstico das contas públicas será prioridade
Segundo Mosquini, uma das primeiras tarefas da equipe será reunir informações que permitam conhecer a situação real do Estado. O levantamento deverá abranger recursos disponíveis em caixa, dívidas, despesas já realizadas, gastos previstos e outros aspectos da administração pública.
“É levantar uma fotografia verdadeira da realidade do estado de Rondônia, porque ninguém sabe como está o governo, ninguém sabe quanto tem em caixa, quanto tem de dívida, quanto que já gastou, quanto que vai gastar”, declarou.
O deputado explicou que a equipe não terá poder de decisão sobre os rumos da futura gestão. A responsabilidade será organizar os dados e apresentar um panorama administrativo ao governador eleito, que decidirá quais medidas deverão ser adotadas a partir das informações recebidas.
“Quem toma decisão não é equipe de transição, não. Equipe de transição são fotógrafos que fotografam a realidade”, afirmou.
Mosquini acrescentou que os trabalhos serão distribuídos entre coordenadores responsáveis por diferentes áreas, com o objetivo de reunir informações de maneira organizada e permitir uma avaliação abrangente da estrutura estadual.
Deputado descarta intenção de perseguir servidores
Questionado sobre a possibilidade de a transição ser utilizada para procurar irregularidades ou perseguir integrantes da gestão que está deixando o governo, Mosquini negou essa intenção.
“Não, eu vou ser o Lúcio Mosquini de sempre. Tô numa missão do governo, não tô pra perseguir ninguém, não tô pra exonerar ninguém”, declarou.
O parlamentar reiterou que sua responsabilidade será apresentar o diagnóstico ao governador eleito, sem antecipar decisões sobre exonerações, mudanças administrativas ou outras medidas que possam ser adotadas pela nova gestão.
“Minha missão lá é apresentar ao governador Marcos Rogério a realidade do Estado para ele tomar as decisões dele”, completou.
Mosquini também revelou que inicialmente teve dúvidas sobre aceitar o convite, principalmente em razão da carga de trabalho e da responsabilidade envolvida. Segundo ele, após o encerramento da campanha estadual, passou a se dedicar à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, realizando visitas a 30 municípios. Depois de uma nova conversa com Marcos Rogério, decidiu assumir a tarefa.
O deputado lembrou ainda que participou de um trabalho semelhante em 2011, experiência que, segundo o governador eleito, pesou na escolha de seu nome para coordenar a equipe.
Votação e influência política
Durante a entrevista, Mosquini também comentou seu desempenho nas urnas e rejeitou a avaliação de que sua votação expressiva tenha sido resultado exclusivo da força do bolsonarismo em Rondônia.
Para sustentar seu argumento, citou o deputado federal Coronel Chrisóstomo, também do PL, e afirmou que o resultado eleitoral depende de outros fatores, além do alinhamento político com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O Chrisóstomo, por exemplo, ele é mais bolsonarista do que eu, porque eu fui do MDB, aí eu vim pro PL há pouco tempo”, afirmou.
Mosquini reconheceu, entretanto, a importância do apoio recebido de Bolsonaro, do PL e de Marcos Rogério. Ele também lembrou que, quando ainda integrava o MDB, exerceu por três anos a função de vice-líder de Bolsonaro.
O parlamentar atribuiu parte de seu desempenho eleitoral à maneira como conduz o debate político, afirmando que procura concentrar suas críticas nas ações governamentais, e não em ataques pessoais a adversários.
“Se você pegar aí no meu Instagram, nos últimos 12 anos, eu tenho 3 mil vídeos. Você não acha nenhum dos 3 mil criticando a pessoa do Lula. Naturalmente, eu combato e critico as ações do governo federal. Mas da pessoa, não”, declarou.
Expectativa para o novo mandato
Ao falar sobre o próximo mandato parlamentar, Mosquini afirmou que um eventual retorno à liderança da bancada federal de Rondônia poderá ocorrer naturalmente, mas reiterou que não está buscando cargos.
Ele também demonstrou expectativa de encontrar melhores condições políticas em Brasília para defender as pautas de seu mandato, especialmente as relacionadas aos produtores rurais.
Segundo o deputado, a atuação em defesa do setor rural enfrentou dificuldades diante de divergências ideológicas com integrantes do governo federal anterior.
Ao final, Mosquini reforçou que o trabalho da equipe de transição será entregar ao governador eleito um levantamento da situação do Estado.
A partir desse diagnóstico, caberá a Marcos Rogério definir as prioridades e decidir quais políticas, contratos, programas e estruturas administrativas serão mantidos, ampliados ou reduzidos durante a nova gestão.
Fonte: Rondônia dinâmica

