Uma reviravolta silenciosa, porém estratégica, mudou o comando do Partido Renovação Democrática (PRD) em Rondônia e redesenhou o tabuleiro político do estado às vésperas do processo eleitoral de outubro. A alteração já foi oficializada no Sistema de Gerenciamento de Informações Partidárias (SIGP) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e representa um duro golpe nas pretensões políticas do grupo liderado pelos irmãos Sérgio, Júnior e Fábio Gonçalves.
O Diretório Estadual do PRD, que até então estava sob a presidência de Fábio Gonçalves — irmão do vice-governador Sérgio Gonçalves e do ex-chefe da Casa Civil Júnior Gonçalves — passou a ser comandado por Anderson Dias, atual diretor-adjunto do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RO). A mudança ocorreu após intensa articulação política conduzida pelo secretário-chefe da Casa Civil, Elias Rezende de Oliveira.
Além de Anderson Dias na presidência estadual, o novo diretório do PRD em Rondônia conta com nomes de peso da política local. O ex-deputado federal Nilton Capixaba assume a vice-presidência da legenda. O deputado estadual Edevaldo Neves passa a ocupar o cargo de secretário-geral.
A estrutura partidária ainda inclui Carlos Magno Ramos, secretário adjunto da Casa Civil, como 1º secretário; o ex-candidato a vereador de Ariquemes, Arinaldo José, como 1º tesoureiro; o deputado estadual Ribeiro do Sinpol como secretário executivo; e o deputado estadual Pedro Fernandes no cargo de tesoureiro-geral. Já Yale de Souza Jorge, chefe de gabinete da Casa Civil, assume a função de 1ª secretária executiva do partido.
Em novembro do ano passado, o vice-governador Sérgio Gonçalves chegou a anunciar publicamente que a aprovação da federação PRD/Solidariedade em Rondônia consolidaria seu projeto político, garantindo à legenda cifras expressivas — estimadas em mais de R$ 60 milhões em Fundo Partidário e cerca de R$ 160 milhões em Fundo Eleitoral.
No entanto, poucos meses após o anúncio, a mudança no comando do PRD esvaziou o discurso de fortalecimento do grupo. Nos bastidores, a avaliação é de que o controle partidário era peça-chave para a formação de alianças, captação de lideranças e estruturação de candidaturas majoritárias e proporcionais.
A troca no comando do PRD representa mais do que uma simples mudança administrativa. Analistas políticos avaliam que a decisão enfraquece diretamente o projeto eleitoral da família Gonçalves e fortalece a ala governista, que passa a ter maior influência sobre o tempo de TV, recursos financeiros e articulações regionais.
Com o novo diretório alinhado ao Palácio Rio Madeira, o PRD tende a seguir uma estratégia mais integrada ao governo estadual, o que pode redefinir alianças, chapas proporcionais e até composições majoritárias no pleito deste ano.
A movimentação confirma que, em Rondônia, as decisões partidárias seguem sendo definidas menos pelos discursos públicos e mais pelas articulações de bastidores — onde, desta vez, houve uma clara virada de mesa.
Por Almi Coelho DRT-1207-RO/Alerta Rondônia
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