Especialista explica quando a fadiga deixa de ser considerada normal, os sinais de distúrbios do sono e hábitos que prejudicam a qualidade do descanso
A sensação de cansaço após uma rotina intensa é comum, mas quando a fadiga permanece por semanas e interfere nas atividades diárias, pode ser um sinal de que algo não está bem com o organismo. O alerta é do médico Gabriel Aurélio, docente do curso de Medicina da Afya São Lucas, que destaca a importância de investigar sintomas persistentes.
Segundo o profissional, o cansaço não deve ser tratado como algo normal quando continua por mais de duas ou três semanas, principalmente quando não melhora mesmo após períodos de descanso. Acordar sem disposição, com sensação de corpo pesado e sem energia para as tarefas do dia pode indicar a necessidade de uma avaliação médica.
“O problema muitas vezes não está apenas na quantidade de horas dormidas, mas na qualidade desse sono”, explica Gabriel Aurélio. Ele destaca que pessoas que permanecem de sete a oito horas na cama, mas ainda assim acordam exaustas, devem observar sinais como dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes durante a madrugada, sensação de sufoco ao acordar ou sonolência excessiva durante o dia.
O médico ressalta que a má qualidade do sono também pode afetar diretamente o funcionamento do cérebro. Dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes, queda no rendimento nos estudos ou no trabalho e sensação de lentidão mental podem estar relacionadas a noites mal dormidas.
Além dos impactos cognitivos, alterações de humor também podem ser consequência de um sono inadequado. Irritabilidade, ansiedade, oscilações emocionais e redução da capacidade de lidar com situações do cotidiano estão entre os efeitos associados ao descanso insuficiente.
Gabriel Aurélio chama atenção ainda para sintomas frequentemente ignorados, como ronco intenso, boca seca ao acordar, dores de cabeça pela manhã e episódios de engasgo ou interrupção da respiração durante o sono. Esses sinais podem estar relacionados à apneia obstrutiva do sono, condição que prejudica a oxigenação adequada do organismo durante a noite.
“A pessoa muitas vezes acredita que roncar significa dormir profundamente, mas pode ser justamente o contrário. O ronco pode indicar dificuldade na passagem do ar durante o sono”, alerta o médico.
A longo prazo, a privação ou a baixa qualidade do sono pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de problemas como hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares. Isso ocorre porque o organismo permanece em estado de estresse, com alterações hormonais que afetam a pressão arterial, o metabolismo da glicose e o controle da fome.
Entre os hábitos que prejudicam o sono estão o uso de celulares e computadores próximo ao horário de dormir, o consumo de café, energéticos e pré-treinos no fim do dia, exercícios intensos antes de deitar e o uso da cama para atividades como trabalho ou estudo.
Para melhorar a qualidade do descanso, o médico recomenda medidas simples de higiene do sono, como manter horários regulares para dormir e acordar, evitar telas entre 30 minutos e uma hora antes de deitar, manter o ambiente escuro e silencioso, reduzir o consumo de cafeína no período da tarde e reservar a cama apenas para dormir.
“Se mesmo com mudanças na rotina o cansaço continuar, é importante procurar um médico para investigar as possíveis causas e indicar o tratamento adequado”, orienta Gabriel Aurélio.

