Valorização do real pode reduzir receitas das exportações de soja, milho e carne, enquanto o alívio nos custos de fertilizantes e outros insumos deve ocorrer de forma gradual.
A forte queda do dólar registrada após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 colocou o câmbio novamente no centro das preocupações do agronegócio brasileiro. A valorização do real pode provocar mudanças importantes na comercialização de commodities agrícolas, nos custos de produção e, principalmente, na rentabilidade dos produtores rurais.
Na segunda-feira (5), primeiro pregão após a votação, o dólar comercial apresentou recuo superior a 4%, encerrando as negociações próximo de R$ 5, conforme os dados apresentados. Segundo a StoneX, a taxa de referência ficou em R$ 5,0019, representando queda de 4,2% no dia. Já a PTAX de venda do Banco Central foi informada em R$ 4,9859.
O movimento ocorreu em meio à repercussão do resultado eleitoral e às expectativas dos investidores em relação ao cenário político e econômico brasileiro.
De acordo com os números divulgados no material, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 45,16%. A disputa presidencial será decidida no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Produtores podem receber menos pelas commodities
Para os produtores rurais, especialmente aqueles que trabalham com soja, milho, café e pecuária, a queda do dólar pode representar redução nos valores recebidos pela comercialização de produtos vinculados ao mercado internacional.
Isso acontece porque grande parte das commodities agrícolas possui preços internacionais definidos em dólar. Quando a moeda norte-americana perde valor diante do real, o preço convertido para a moeda brasileira tende a diminuir, caso as demais condições do mercado permaneçam estáveis.
Em Rondônia, onde a pecuária e a produção de grãos possuem participação importante na economia, as oscilações cambiais também podem influenciar as negociações e o planejamento financeiro das propriedades rurais.
Fertilizantes e defensivos podem ficar mais baratos
Por outro lado, a valorização do real pode trazer benefícios para a aquisição de insumos agrícolas importados, como fertilizantes, defensivos e determinados equipamentos.
Entretanto, essa redução não ocorre necessariamente na mesma velocidade da queda do dólar. Estoques adquiridos anteriormente, contratos fechados com fornecedores e despesas logísticas podem retardar o repasse dos preços ao produtor.
Especialistas do mercado agrícola destacam que o impacto efetivo dependerá do momento das compras, das condições comerciais e da exposição cambial de cada propriedade.
Planejamento será fundamental para a próxima safra
Com parte da produção ainda sujeita às oscilações do câmbio, o produtor rural precisa acompanhar atentamente as movimentações do mercado financeiro e as oportunidades de comercialização.
A utilização de contratos antecipados, mecanismos de proteção cambial e planejamento das compras de insumos pode contribuir para reduzir riscos e preservar a rentabilidade.
O cenário exige atenção especial dos produtores de Rondônia, principalmente nas regiões de Ariquemes, Alto Paraíso, Machadinho d’Oeste, Buritis, Jaru e demais municípios com forte presença da atividade agropecuária.
Enquanto o Brasil se prepara para o segundo turno das eleições presidenciais, o comportamento do dólar continuará sendo um dos indicadores acompanhados pelo setor produtivo.
Mais do que a cotação da moeda norte-americana, o principal desafio do produtor será equilibrar os custos da próxima safra com os preços recebidos pela produção, garantindo competitividade e sustentabilidade financeira no campo.
Fonte: Informações fornecidas sobre StoneX, Banco Central e resultado eleitoral.
Alerta Rondônia – Informação com credibilidade.

