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SAGRADO E PROFANO: Da Idade Média ao Brasil Atual: A Religião como Legitimadora do Poder

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SAGRADO E PROFANO

A definição de sagrado e profano sempre foi o principal mecanismo da nossa organização social, mas o que é o sagrado? É o que uma sociedade define como sagrado. Pode ser o Sol, uma vaca, um livro, um rio, uma pessoa. E o que é o Profano? É o que uma sociedade define como profano. Pode ser uma religião, uma dança, uma arte, uma raça.

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E quem define o que é Sagrado e o que é Profano? O observador. Que ao observar, vai decidir, de acordo com a corrente filosófica que ele caminha, de acordo com o contexto histórico em que ele nasceu e de acordo com a religião em que ele está inserido – se algo é sagrado ou profano.

Mas nem todos participam da definição do sagrado, nem todos têm o poder de fazer falar os deuses, nem todas as pessoas são socialmente legitimadas para opinar sobre o que uma sociedade deverá entender sobre sagrado e profano.

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E assim, essa constante luta para personificar o bem e o mal, vai reconfigurando nosso tecido social, fabricando indivíduos para serem a vontade geral e a força coletiva que move o estado na direção do sagrado e coloca o profano como um inimigo constantemente presente, mais presente até que o próprio sagrado.

Nesse sentido, o profano se torna um eterno vilão, à espera do próximo indivíduo para se personificar e assim despertar na coletividade um senso de união para combater esse inimigo em comum.

Na idade média, o inimigo em comum foram as mulheres consideradas bruxas; Em 1.500, o inimigo em comum foram os negros, que foram desumanizados e profanados, existia até um “rascismo científico” que utilizava o próprio Darwin como referencia bibliográfica; No Holocausto, foi a vez dos Judeus se tornarem profanos e o inimigo em comum.

E em todas essas catástrofes, incluindo a morte de Jesus e as cruzadas, a religião aparece como um enorme elemento legitimador da estrutura social; E essa parte “sagrada” da sociedade, essa intersecção entre a fé e as instituições materiais, que chamamos de religião, desde a origem das nações, sempre teve objetivos em comum com a política, pois uma sempre serviu de instrumento a outra para exercer o domínio, seja das terras, seja dos corpos.

Portanto, ter pastores envolvidos em escândalos políticos, usando a igreja como palanque político, é só o sintoma de uma doença que a nossa constituição tentou tratar em 1988, optando por um estado laico, como determina o seu artigo 5º, VI. No entanto, a proteção do artigo em questão, trouxe a liberdade religiosa que os pastores precisavam para criar seus próprios deuses e messias, bem como, seu próprio céu, com seus próprios pecados alheios.

 

Por: Cleverson Siebre

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