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Bolsonaro é acusado de tentar influenciar depoimento de Mourão ao STF; PGR avalia pedido de prisão preventiva

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou ao centro das atenções do meio jurídico e político após o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), seu ex-vice-presidente, admitir que recebeu uma ligação do ex-mandatário antes de prestar depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Segundo Mourão revelou ao portal Metrópoles, Bolsonaro o procurou para “reforçar” que nunca teria mencionado, em momento algum, a possibilidade de uma ruptura institucional. O episódio provocou forte reação entre ministros do STF e acendeu o alerta na Procuradoria-Geral da República (PGR), que agora avalia a possibilidade de pedir a prisão preventiva do ex-presidente por obstrução de Justiça.

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“Ele me ligou antes do depoimento. Queria que eu confirmasse que nunca ouvi qualquer conversa sobre golpe. Eu disse a verdade, como sempre”, afirmou Mourão à imprensa.

Investigação em curso

A conduta de Bolsonaro pode ser enquadrada como tentativa de interferência em processo judicial, o que caracteriza os crimes de obstrução de Justiça e, eventualmente, coação no curso do processo — ambos previstos no Código Penal.

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De acordo com fontes ligadas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a PGR só deverá formalizar um pedido de prisão preventiva ao STF se houver garantia de que a Primeira Turma da Corte, responsável pelo julgamento do caso, acatará a solicitação. A avaliação é de que uma negativa poderia enfraquecer o andamento do processo e gerar efeitos políticos imprevisíveis.

Nos bastidores do Supremo, a revelação foi recebida como um “ato de desespero” do ex-presidente. A preocupação dos magistrados é que Bolsonaro volte a interferir no andamento do processo judicial, o que reforçaria os argumentos para uma eventual detenção cautelar.

STF em alerta

O caso tramita na Primeira Turma do STF, formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Moraes, relator do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado, já sinalizou em outras ocasiões que não tolerará tentativas de obstrução.

O processo em questão é resultado das investigações da Polícia Federal e da PGR sobre a atuação de Bolsonaro e seus aliados para tentar impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2022. A denúncia formal apresentada pela PGR em fevereiro de 2025 acusa Bolsonaro de liderar uma organização criminosa voltada à ruptura democrática.

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