Porto Velho sedia evento inédito que reúne arte, saberes tradicionais e grandes nomes da música brasileira, como Lenine
Porto Velho se prepara para viver um momento histórico com a realização da primeira edição do Festival dos Povos da Floresta, que acontece entre os dias 29 de maio e 8 de junho. O evento, totalmente gratuito, transforma a capital rondoniense no centro das atenções culturais do país ao reunir artistas indígenas, músicos renomados, exposições de arte, oficinas e rodas de conversa que destacam a diversidade e a força criativa da Amazônia.
Idealizado pelo Centro Rioterra, organização com atuação em Rondônia, e apresentado pela Petrobras por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o festival tem realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal. A proposta é clara: tirar a Amazônia da margem e colocá-la no centro do debate cultural brasileiro.
“Este festival nasce em Rondônia com a missão de mostrar que a Amazônia é um território de produção cultural viva, contemporânea e essencial para o Brasil”, afirma Fabiana Gomes, diretora de projetos do Centro Rioterra.
Exposição, saberes tradicionais e música de peso
A programação começa com a abertura da exposição JUVIA, sob curadoria da renomada Rosely Nakagawa, e reúne obras inéditas de artistas como o indígena Gustavo Caboco — responsável também pela identidade visual do festival — e a fotógrafa paraense Paula Sampaio.
O evento destaca ainda apresentações de grupos tradicionais dos povos Gavião, Arara, Makurap, Tupari e Zoró, reforçando a presença e o protagonismo indígena na construção da identidade cultural rondoniense e amazônica.
No Palco Petrobras, a curadoria da produtora cultural Aline Moraes coloca em cena talentos de Rondônia e da região Norte. Estão confirmados Gabriê (RO), Ernesto Melo e Bado (RO), Patrícia Bastos (AP), Nilson Chaves (PA) e a banda Quilomboclada (RO).
O grande encerramento da edição rondoniense será com Lenine, consagrado artista nacional que traz em sua trajetória um diálogo constante com a natureza, a cultura popular e os movimentos sociais.
“Quisemos provocar encontros reais entre artistas locais e nomes do cenário nacional, valorizando a diversidade e a potência sonora da floresta”, explica Aline Moraes.
Festival segue para outras capitais após Rondônia
Após a edição em Porto Velho, o Festival dos Povos da Floresta segue para outras quatro capitais: Boa Vista (RR), Macapá (AP), Belém (PA) e, por fim, Brasília (DF), levando consigo a proposta de criar redes de troca entre culturas tradicionais, artistas contemporâneos e o público urbano.
Para Rondônia, o evento representa mais do que uma agenda cultural: é um reconhecimento da riqueza simbólica do estado e de sua contribuição para a construção de uma Amazônia plural e protagonista.


