Violência contra professora em escola municipal de Ariquemes

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Hoje, 21 de dezembro de 2021, presenciei um fato triste, muito triste…. Sou professora há 21 anos e nada me marcou tão negativamente até hoje. Isso foi tão ruim que não estou conseguindo dormir… preciso falar…
Estava na sala dos professores e algumas colegas informaram que havia um pai muito nervoso, falando alto com a professora de seu filho. A princípio pensei que não fosse tão grave, infelizmente situações como esta às vezes acontecem em nosso cotidiano, porém, mais e mais colegas chegavam com a notícia e isso me deixou intrigada. Fui até a sala onde estavam, havia muita gente no corredor….
Nunca tinha visto e nem ouvido nada tão repugnante e revoltante dentro da escola… “Sua bandida, vagabunda, safada…”. Estas foram as palavras de um pai para uma professora que está prestes a se aposentar e em seus últimos dias de trabalho foi desacatada pelo fato desse senhor não aceitar a reprovação do filho. O mesmo nem se quer ouviu educadamente as justificativas apresentadas, distorceu os fatos de acordo com a conveniência do momento e partiu para a violência verbal com gritos e tom ameaçador: “Sou advogado, estou acostumado a lidar com bandidos, sua bandida vagabunda! ”.
Pais e demais funcionários presenciaram as cenas e as colegas que tentaram intervir eram chamadas de “vagabundas, bando de gente que não faz nada, farinha do mesmo saco…”.
A professora que foi agredida passou mal e uma das colegas que lhe prestou auxílio foi insultada. Por não se calar diante da violência verbal, o pai partiu para cima da mesma e foi contido por um professor, o que poderia ter terminado em situação pior.
Pais solícitos se dispuseram a ajudar e até disseram: “Você faz isso porque são mulheres, porque não me enfrenta? ”
Não tive muita ação diante de tanto desrespeito, fiquei paralisada, andando de um lado para o outro, só conseguia falar: “Chamem a polícia! Chamem a polícia! ”
A polícia se fez presente e o SAMU também, pois a professora agredida passou muito mal, teve que ser medicada para estabilizar a pressão.
Tudo isso mexeu profundamente comigo. Por um lado, me fez pensar sobre como o professor é visto e tratado pela sociedade, em especial nesse período pandêmico, onde fomos agredidos constantemente nas redes sociais. Por outro, como o machismo é latente. Esse pai se sentiu muito à vontade para gritar, violentar e nos hostilizar dentro do nosso ambiente de trabalho, no exercício de nossa profissão. Será que ele se sentiria tão à vontade assim dentro de um quartel, onde sua maioria são homens?
Sem mais delongas… O que ocorreu nesta tarde foi lamentável. Fica aqui minha solidariedade a esta mulher e professora que foi desrespeitada e ferida pela força bruta das palavras e, às demais colegas que, como eu, se sentiram profundamente violentadas.
Enfim, para evitar quaisquer represálias, prefiro não me identificar, os dias estão muito cinzas e o ódio anda a nossa espreita. De todo modo, já me coloquei à disposição para testemunhar no que for preciso. O que importa é não se calar.
Professora da Escola Eva dos Santos de Oliveira/Ariquemes

 

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Almi Coelho

Almi Coelho

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