O senador Jaques Wagner (PT-BA) decidiu nesta quarta-feira (24) deixar a liderança do governo no Senado. A decisão foi tomada após o parlamentar se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em meio as repercussões da operação da PF (Polícia Federal) relacionada ao caso do Banco Master que mirou o congressista, na semana passada.
A ação da PF investiga indícios de benefícios econômicos recebidos pelo senador de forma direta ou indireta relacionados ao Master e a Augusto Lima, ex-sócio do banco. Jaques Wagner nega as acusações e tem afirmado que irá colaborar com as investigações.
Na segunda-feira (22), a defesa de Jaques acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir a anulação da operação da PF que resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar.
Os advogados do senador argumentam terem ocorrido “erros graves” e reforçam que Jaques “jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master”.
Quadro histórico do PT e aliado antigo do presidente Lula, o senador ocupava o cargo na liderança desde o início da atual gestão petista. Foi anunciado para a função ainda no fim de dezembro de 2022, antes mesmo da posse do novo governo.
Entre os cotados para assumir a função, estão os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE). Ambos não devem disputar as eleições deste ano e teriam tempo para se dedicar à articulação no Senado. Camilo foi ministro da Educação no atual governo e é próximo de Lula. Atual líder do PT no Senado, Teresa é vista como uma congressista com boas relações com oposição e governistas.
A repercussão negativa da operação da PF consolidou um desgaste que Jaques já vinha sofrendo desde a derrota de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). O congressista foi o principal responsabilizado pela rejeição do Senado ao nome indicado pelo Planalto. Jaques foi culpado, em especial, por não ter alertado Lula sobre o risco de derrota.
Jaques também protagonizou impasse com integrantes do governo durante a tramitação do chamado “PL da Dosimetria”, projeto que reduz as penas de condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Em dezembro do ano passado, Jaques costurou acordo para o projeto avançar em troca de apoio para matérias prioritárias para o governo na agenda econômica.
Desde a última quinta-feira (18), quando foi realizada a última fase da operação Compliance Zero da PF, aliados do governo calculavam os danos à pré-campanha de Lula e buscavam ajustar o discurso. Publicamente, o PT reforçou apoio a Jaques e deu voto de confiança ao senador, mas integrantes da sigla defenderam, internamente, a necessidade de distanciar a imagem do senador para não atingir Lula.
O congressista também recebeu “solidariedade integral” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendeu a sua “presunção de inocência”. Em outra frente, a oposição intensificou críticas e viu o ocorrido como “munição” para reverter a narrativa sobre a ligação do Master com nomes da direita e do centrão.
O senador foi ministro do Trabalho e ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais no primeiro governo petista, além de ter chefiado o Ministério da Defesa e a Casa Civil durante as gestões de Dilma Rousseff.

