A história política de Rondônia tem em Ângelo Angelim um de seus personagens mais importantes. Professor, administrador e deputado estadual, ele assumiu o Governo do Estado em 10 de maio de 1985, em um dos períodos mais decisivos da redemocratização do Brasil, permanecendo no cargo até 15 de março de 1987.
A nomeação de Angelim ocorreu após a morte do presidente eleito Tancredo Neves e a posse de José Sarney na Presidência da República. Como uma das primeiras medidas do novo governo federal, o então governador Jorge Teixeira de Oliveira foi substituído, cabendo a Ângelo Angelim conduzir Rondônia até a realização da primeira eleição direta para governador.
Antes de chegar ao comando do Executivo estadual, Angelim já possuía uma trajetória consolidada na vida pública. Foi secretário municipal de Educação de Vilhena, administrador do distrito de Colorado do Oeste e, em 1982, elegeu-se deputado estadual pelo PMDB. Na Assembleia Legislativa, participou da elaboração da Constituição Estadual e teve papel de destaque na organização política do novo estado.
Sua administração ficou marcada pelo desafio de governar Rondônia em um período de intenso crescimento populacional e expansão econômica. O governo priorizou investimentos em saúde, educação, eletrificação, apoio aos pequenos produtores rurais e preservação ambiental, além de reivindicar maior apoio do Governo Federal para enfrentar os impactos da forte migração e da localização estratégica na fronteira com a Bolívia.
Durante sua gestão, Rondônia alcançou a marca histórica de um milhão de habitantes. Também foram criados os municípios de Alvorada d’Oeste, Alta Floresta d’Oeste e Santa Luzia d’Oeste, fortalecendo a estrutura administrativa do estado.
Outro momento marcante foi a resposta do governo ao assassinato do padre missionário Ezechiele Ramin, em julho de 1985. Angelim determinou rigor nas investigações, demonstrando firmeza diante de um caso que repercutiu em todo o país.
Apesar dos avanços, o governo enfrentou desafios como greves do funcionalismo público, dificuldades financeiras e disputas políticas, características de um período de profundas transformações administrativas e institucionais.
Em 15 de março de 1987, Ângelo Angelim transmitiu o cargo a Jerônimo Garcia de Santana, eleito pelo voto direto, encerrando o ciclo dos governadores nomeados e consolidando a transição democrática em Rondônia.
Após deixar o governo, disputou uma vaga ao Senado em 1990, mas não foi eleito. Em seguida, afastou-se da política para dedicar-se às atividades rurais.
Ângelo Angelim faleceu em 3 de julho de 2017, aos 82 anos, em Cuiabá (MT). Seu nome permanece na história de Rondônia como o governador que conduziu o Estado durante a transição para a democracia, contribuindo para o fortalecimento das instituições e para a consolidação do desenvolvimento rondoniense.
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