Medida anunciada pelo governo Donald Trump deve atingir mais de 4 mil produtos e cerca de US$ 15 bilhões em exportações do Brasil
O governo dos Estados Unidos decidiu impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida foi oficializada nesta quarta-feira (15) pelo presidente Donald Trump, após recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.
Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, o novo tarifaço deverá atingir mais de 4 mil produtos brasileiros, representando aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações anuais.
Entre os setores que poderão ser afetados estão produtos como açúcar, etanol, tabaco, ferro-gusa e itens de madeira. Produtos considerados estratégicos para o mercado norte-americano, como café, carne bovina e peças para aeronaves, foram mantidos fora da nova cobrança, conforme as informações divulgadas até o momento.
Decisão foi baseada em investigação comercial
A aplicação da tarifa ocorre após uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O órgão norte-americano apontou supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA.
Entre os pontos questionados estão políticas relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Em junho, o governo Trump já havia apresentado a proposta de tarifa adicional de 25% e aberto um período para manifestações de empresas, entidades e representantes dos setores envolvidos.
Governo brasileiro contesta justificativas
O governo brasileiro rejeita as acusações apresentadas pelos Estados Unidos e sustenta que algumas das exigências norte-americanas não poderiam ser atendidas por dependerem de mudanças na legislação nacional.
Brasília também avalia que a decisão poderá prejudicar empresas e consumidores dos dois países, além de provocar impactos sobre empregos, investimentos e cadeias produtivas.
A nova tarifa aumenta a tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos e pode levar o governo brasileiro a adotar medidas de reciprocidade, dependendo dos efeitos provocados sobre as exportações nacionais.
Representantes do setor produtivo acompanham a decisão e cobram a ampliação das negociações diplomáticas para reduzir os prejuízos e buscar novas exceções para produtos brasileiros.
A expectativa agora é pela publicação completa da lista de mercadorias atingidas, das regras de aplicação e da data efetiva de início da nova cobrança.

