A Polícia Federal aprofundou as investigações sobre um suposto esquema de financiamento ilegal de campanhas eleitorais que teria utilizado empresas gráficas para custear materiais de candidatos nas eleições de 2022.
A nova etapa da apuração tem como base documentos e planilhas apreendidos durante a Operação Smoke Free, deflagrada em 2022, que ganharam novo peso na quinta fase da Operação Unha e Carne, realizada neste mês.
De acordo com a Polícia Federal, as planilhas indicam uma possível relação entre empresas gráficas contratadas por campanhas eleitorais e um grupo investigado por suposta atuação na exploração ilegal do jogo do bicho, agiotagem e lavagem de dinheiro.
Seis gráficas são investigadas
Segundo o inquérito, seis empresas gráficas teriam sido utilizadas para operacionalizar o suposto esquema:
Gráfica Editora Completa;
Nova Visual Representações Gráficas;
INC Indústrias Gráficas e Editora;
Apel Gráfica e Editora;
Fast Gráfica e Editora;
Paper Color Gráfica e Editora.
A principal linha de investigação aponta que candidatos contratavam a produção de santinhos, panfletos e outros materiais de campanha junto às gráficas, porém os pagamentos seriam realizados pelo grupo investigado, e não diretamente pelos próprios candidatos ou por suas campanhas.
Ainda conforme a Polícia Federal, a Gráfica Editora Completa teria sido a principal empresa utilizada no suposto esquema. Durante as eleições de 2022, a empresa atendeu 73 candidatos e movimentou mais de R$ 1,4 milhão, valor que, segundo a investigação, teve origem quase integral em recursos públicos destinados ao financiamento eleitoral.
Investigados
Entre os investigados apontados pela Polícia Federal estão:
Adilson Oliveira (Adilsinho);
Anderson de Oliveira Coutinho;
Werlley Gomes da Silva;
Wilson de Oliveira Coutinho;
Celso Luiz Silva dos Santos;
Teresa Cristina Lourenço;
Gabriel Macedo de Andrade;
Leonardo da Silva de Melo;
Leonardo Felix da Silva;
Mário André da Silva Nascimento.
Segundo a PF, o grupo é investigado por suposta participação em um esquema criminoso envolvendo exploração ilegal do jogo do bicho, agiotagem, lavagem de dinheiro e possível financiamento ilícito de campanhas eleitorais.
Investigações continuam
A Polícia Federal segue analisando os documentos apreendidos para identificar a origem dos recursos, o fluxo financeiro entre empresas e investigados e a eventual participação de candidatos ou terceiros no suposto esquema.
Até o momento, a investigação está em andamento e não há condenação definitiva em relação aos fatos apurados. Todos os investigados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, conforme garantido pela Constituição Federal.

