O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou nesta quinta-feira (5) que enviou R$ 2 milhões ao filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente vive nos Estados Unidos. Segundo Bolsonaro, o repasse foi feito por meio legal, via sistema de pagamentos instantâneos (PIX), e teria como objetivo auxiliar o filho com despesas no exterior.
“Botei dinheiro na mão dele, dinheiro limpo, legal, via PIX. Lá fora tudo é mais caro. Tenho dois netos, ele está lá fora, e eu não quero que ele passe por dificuldades”, disse Bolsonaro, após prestar depoimento à Polícia Federal no âmbito de investigações que ainda correm sob sigilo.
A declaração reascende o debate sobre os gastos da família Bolsonaro no exterior, especialmente em meio às recentes movimentações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado se licenciou do mandato em março deste ano, alegando perseguição política por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) e anunciando que buscaria proteção fora do Brasil. Ele afirmou que pretendia denunciar o ministro Alexandre de Moraes e a Polícia Federal por supostos abusos de autoridade.
Histórico de transferências
Não é a primeira vez que Jair Bolsonaro realiza transferências significativas para os Estados Unidos. Em dezembro de 2022, no fim de seu mandato, o ex-presidente enviou aproximadamente R$ 675 mil a contas no exterior — valor que correspondia a 75% do que mantinha em instituições financeiras brasileiras naquele momento, segundo dados divulgados posteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
À imprensa, Bolsonaro afirmou que também recebeu ofertas de doações de aliados e simpatizantes para ajudar Eduardo a se manter no exterior. “Amigos ofereceram ajuda, mas até agora fui eu quem bancou. É meu filho, é natural que eu o ajude”, afirmou.
Eduardo e a crise política
Eduardo Bolsonaro, por sua vez, vem atuando de forma intensa nos bastidores políticos nos EUA. Ele já participou de eventos conservadores no país e anunciou que buscará apoio internacional para denunciar o que chama de “ditadura judicial” no Brasil. Em março, chegou a cogitar formalizar um pedido de asilo político ao governo norte-americano, o que ainda não se confirmou oficialmente.
O envio de valores elevados e a permanência prolongada de um deputado federal licenciado no exterior aumentaram as críticas por parte da oposição, que cobra explicações mais detalhadas sobre a origem dos recursos e a real finalidade dos repasses.
A defesa de Bolsonaro, por ora, afirma que os valores são fruto de economias pessoais e que não há qualquer irregularidade nos repasses.

