O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, encaminhou à Advocacia-Geral da União (AGU) informações consideradas importantes para fortalecer o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) à Itália. A medida está relacionada à condenação da ex-parlamentar por perseguir, armada, um homem pelas ruas de São Paulo às vésperas das eleições de 2022.
Na decisão assinada na noite desta terça-feira (23), Gilmar destacou que a condenação foi proferida pelo plenário do STF por ampla maioria dos ministros. O magistrado também ressaltou que, caso a extradição seja autorizada pelas autoridades italianas, Zambelli cumprirá a pena em estabelecimento prisional adequado no Brasil.
O envio das informações à AGU acontece poucos dias antes de a Corte de Cassação de Roma analisar, em 1º de julho, um novo pedido de extradição referente a essa condenação. Anteriormente, a Justiça italiana já havia se manifestado favoravelmente à extradição da ex-deputada, porém a decisão foi alvo de recurso apresentado por sua defesa.
Pelos fatos ocorridos em outubro de 2022, Carla Zambelli foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. Na ocasião, imagens registraram a então deputada perseguindo um homem armada em uma via pública da capital paulista.
Zambelli está em liberdade desde 22 de maio deste ano, após a Justiça italiana negar outro pedido de extradição relacionado ao caso da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), processo no qual foi condenada a 10 anos e 8 meses de prisão.
Ao rejeitar a extradição nesse segundo caso, a Justiça italiana apontou possíveis dúvidas quanto à imparcialidade do julgamento conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. A decisão mencionou que Moraes teria figurado simultaneamente como magistrado e vítima dos fatos investigados, em razão dos ataques cibernéticos que atingiram os sistemas do CNJ.
Segundo a Corte italiana, a inserção de um falso mandado de prisão contra o próprio ministro nos sistemas judiciais e os danos à sua imagem institucional foram elementos considerados na análise do processo. O entendimento serviu de fundamento para a negativa da extradição relacionada ao caso da invasão hacker.
Agora, a expectativa se volta para o julgamento marcado para o próximo dia 1º de julho, quando a Justiça italiana decidirá sobre o novo pedido de extradição envolvendo a condenação de Carla Zambelli pela perseguição armada ocorrida em São Paulo.
Fonte: Metrópoles

