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Pitaco do Coelho: A sombra da esquerda em Adaílton Fúria

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Eleito vereador de Cacoal em 2012 pelo PRB, Adaílton Fúria construiu sua trajetória política dentro de partidos considerados de centro. Em 2017, filiou-se ao PSD (Partido Social Democrático), legenda pela qual se elegeu deputado estadual em 2018 e prefeito de Cacoal em 2020 e 2024.

Mesmo sem assumir posicionamento ideológico claro dentro da polarização política que domina o Brasil e boa parte do mundo, algumas de suas ações administrativas acabaram aproximando sua imagem de pautas mais alinhadas à direita. Durante a pandemia, por exemplo, foi um dos prefeitos rondonienses que mais defendeu a flexibilização das restrições e a reabertura do comércio, postura que agradou parte significativa do eleitorado conservador do estado.

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No entanto, sua movimentação política visando o Palácio Rio Madeira gera desconfiança em setores do eleitorado rondoniense. Rondônia possui um dos eleitorados mais conservadores do país, com forte identificação com a direita desde as eleições de 2018, cenário consolidado também em 2022, quando Jair Bolsonaro novamente obteve ampla maioria no estado.

Embora Fúria tenha como principal aliado o governador Marcos Rocha, eleito duas vezes impulsionado pela onda bolsonarista, o desgaste da atual gestão estadual também acaba respingando sobre seu grupo político. Em diversos setores da opinião pública, cresce a percepção de insatisfação com o governo, especialmente em áreas consideradas sensíveis pela população, como saúde, infraestrutura e segurança pública.

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Além disso, pesa sobre a pré-candidatura a proximidade com uma das figuras mais controversas do PSD em Rondônia: o ex-senador Expedito Júnior. Antigo adversário político de Marcos Rocha, Expedito carrega forte rejeição acumulada ao longo de décadas de disputas eleitorais no estado. Soma-se a isso o fato de seu filho, Expedito Neto, ter aceitado ser pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo PT — partido historicamente rejeitado pela maioria do eleitorado conservador rondoniense.

É justamente aí que nasce a principal dúvida política: haveria apenas coincidências partidárias ou uma estratégia silenciosa de composição de forças? Na prática, uma eventual união entre PSD, setores ligados ao PT e a estrutura governamental criaria uma poderosa engrenagem política e financeira para 2026. Em um estado majoritariamente conservador, esse tipo de articulação inevitavelmente desperta questionamentos.

Nos bastidores, muitos avaliam que a eventual candidatura de Expedito Neto teria menos viabilidade eleitoral própria e mais utilidade estratégica: fortalecer o palanque do presidente Lula em Rondônia enquanto contribui, indiretamente, para alianças maiores dentro do campo governista estadual.

A política, afinal, raramente é feita apenas de discursos públicos. Alianças, interesses e estratégias eleitorais quase sempre caminham em silêncio, longe dos holofotes.

Por isso, o eleitor precisa ir além das narrativas prontas. Mais importante do que slogans ideológicos é observar quem está ao lado de quem, quais grupos econômicos e políticos sustentam determinadas candidaturas e, principalmente, quais resultados concretos essas alianças entregam à população.

Em tempos de excesso de marketing político, investigar tornou-se quase uma obrigação do cidadão consciente.

Como está escrito em Mateus 7:21:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos Céus.”

Na política, talvez a reflexão também sirva: nem todo discurso representa, de fato, aquilo que aparenta ser.

Opinião: Jornalista Ítalo Coelho – DRT 1120

 

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