Francisco Sanseverino considera insuficientes os elementos apresentados para justificar a abertura de investigação e o afastamento do procurador-geral da República; decisão ainda depende dos demais integrantes do Conselho Superior do MPF.
Brasília, 25 de setembro de 2026 — O subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino votou, nesta sexta-feira (25), contra a abertura de uma investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. O voto foi apresentado durante sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF).
Relator do procedimento, Sanseverino entendeu que os elementos apresentados até o momento não justificam a designação de outro integrante do Ministério Público Federal para investigar Gonet. Ele também considerou prejudicados os pedidos de afastamento do procurador-geral das investigações relacionadas ao caso Master.
“Com base nos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, em conclusão, entendo que não cabe dar início ao procedimento de designação”, afirmou o conselheiro.
A manifestação do relator, entretanto, não representa uma decisão definitiva do colegiado. Os demais integrantes do Conselho Superior ainda precisam apresentar seus votos.
Entenda a origem do procedimento
O caso teve início após uma representação apresentada por parlamentares do partido Novo, depois da divulgação de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
O material reúne referências ao procurador-geral da República em conversas intermediadas pelo advogado Ciro Soares, que aparece como interlocutor entre o ex-banqueiro e autoridades públicas.
As mensagens levantaram questionamentos sobre a relação entre Gonet e Vorcaro e sobre a eventual necessidade de afastamento do chefe do Ministério Público Federal das investigações envolvendo o Banco Master.
Ao analisar os registros, Sanseverino avaliou que os contatos identificados foram esporádicos e não seriam suficientes para caracterizar uma relação de proximidade que justificasse a instauração de uma investigação contra Gonet.
Gonet nega amizade e questiona relatório da PF
Em manifestação encaminhada ao Conselho Superior do MPF, Paulo Gonet negou manter relação de amizade com Daniel Vorcaro ou possuir interesse pessoal nos procedimentos relacionados ao ex-banqueiro.
O procurador-geral afirmou que seu único encontro presencial com Vorcaro ocorreu em abril de 2024, durante um evento realizado em Londres, e sustentou que não existem motivos para seu afastamento das apurações.
Paralelamente, Gonet defendeu perante o Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação do relatório elaborado pela Polícia Federal. Segundo sua argumentação, o ministro André Mendonça teria ultrapassado os limites de sua atuação ao requisitar o documento.
O pedido de nulidade constitui uma discussão jurídica distinta da análise realizada pelo Conselho Superior do MPF sobre a atuação do procurador-geral.
Julgamento ainda depende do colegiado
Com o voto de Sanseverino, o Conselho Superior do Ministério Público Federal iniciou a deliberação sobre a necessidade de aprofundar a apuração e sobre os pedidos de afastamento de Gonet.
O procedimento em análise não equivale a um processo administrativo disciplinar com possibilidade imediata de punição. Seu objetivo é avaliar os elementos apresentados e a eventual necessidade de providências relacionadas à atuação do procurador-geral no caso Master.
A definição dependerá da manifestação dos demais conselheiros.
Fonte: Veja



